SOBRE ESTE LIVROA Roma da Bíblia, em poucos minutos
Uma moeda passa de mão em mão diante do Templo. Jesus olha o rosto gravado nela e faz uma pergunta que cabe em duas palavras: de quem?
César é Roma. Quase toda a história do Novo Testamento acontece dentro do império dele: o decreto que leva Maria e José a Belém, o prefeito que condena Jesus, o governador que dispensa Paulo, o imperador que queima cristãos nos próprios jardins. Este livro conta tudo isso em onze capítulos: quem eram os romanos, no que acreditavam, cada vez que eles cruzam o texto bíblico e o que as pedras e os papiros mostram. Se você ler só esta página, já sai com o essencial.
Quem eram. Uma aldeia de colinas junto ao Tibre que, pela data da tradição, nasceu em 753 a.C., virou república, venceu Cartago e chegou ao Mediterrâneo inteiro. Em 27 a.C., Otaviano, o filho adotivo de Júlio César, recebeu o nome de Augusto e começou o Império, sem nunca se dizer rei. O que segurava tudo eram as legiões, as estradas e a cidadania: ser "cidadão romano" valia um julgamento regular e o direito de apelar ao imperador. A língua do poder era o latim, e a da conversa, no Oriente, era o grego em que o Novo Testamento foi escrito.
No que acreditavam. Os romanos cuidavam dos deuses como quem cuida de um contrato, com ritos certos nas datas certas. Em cada casa havia um nicho para os deuses do lar. E havia o imperador: depois de morto era declarado "divino" em Roma, e em vida recebia culto no Oriente. Em Priene, em 9 a.C., o aniversário de Augusto foi chamado de "o começo das boas-novas", a mesma palavra de "evangelho". Quando Paulo escreve que "Jesus Cristo é o Senhor", o vocabulário já estava ocupado.
Cada vez que cruzam a Bíblia. Pompeu entra no Templo em 63 a.C. e não toca em nada. O Senado faz Herodes rei, e ele reconstrói o Templo e se assusta com um menino. Augusto manda contar gente, e o censo de Quirino é um dos debates mais antigos de Lucas 2. Pilatos, prefeito da Judeia, condena Jesus. Cláudio manda os judeus saírem de Roma, e Gálio, em Corinto, recusa julgar Paulo. Paulo, cidadão romano, apela a César, naufraga num navio de trigo e chega à capital. Nero incendeia, ou não, a cidade em 64, e culpa os cristãos. O Templo queima em 70, no cerco de Tito, como Jesus tinha dito. Um autor, em Patmos, escreve do outro lado do mar sobre uma cidade de sete montes e uma besta. Em 313, Constantino e Licínio acabam com a perseguição.
O que a pá encontrou. A arqueologia confirma muita coisa e cala em outras, e este livro diz sempre qual é qual. Em Cesareia, uma pedra de 1961 traz o nome de Pôncio Pilatos e o título certo, prefeito. Em Delfos, uma carta do imperador Cláudio cita o procônsul Gálio, a âncora mais usada da cronologia de Paulo. Em Corinto, uma calçada leva o nome de um edil Erasto, que pode ou não ser o amigo de Paulo. No Fórum, o Arco de Tito mostra o candelabro do Templo carregado em triunfo. E em Roma ainda existem as estradas por onde Paulo chegou. Mas nenhum desses achados prova a cruz, e o livro é honesto sobre o que cada um prova e não prova. Em quatro pontos, a história ainda não decidiu: o censo de Quirino, o incêndio de 64, a data do Apocalipse e o número 666. O livro mostra as posições de cada leitura, sem tomar partido.
Como isso muda sua leitura. Você vai ouvir, na "milha a mais" de Mateus 5.41, o direito de um soldado. Vai ler a pergunta "de quem é esta imagem?" sabendo que o denário dizia que o imperador era filho de um deus. Vai notar que "a casa de César" de Filipenses 4.22 era a máquina do império, com cristãos dentro. E vai ver que a Bíblia responde a Roma de duas maneiras ao mesmo tempo: "honrai ao rei" 1Pe 2.17 e "há outro rei, Jesus" At 17.7. O mesmo Deus que tinha o império por cenário também o tinha por tema, de Belém, no decreto de Augusto, à "grande Babilônia" que cai.
ANTES DE COMEÇARO mapa para não se perder
Na Almeida Corrigida Fiel, "César" aparece umas quarenta e cinco vezes e "Pilatos", mais de cinquenta; "Roma" e "romanos" estão em cerca de vinte versículos, a maioria em Atos. Roma não é um povo do Antigo Testamento, e sim o mundo em que o Novo Testamento aconteceu. Antes de entrar nas cenas, fixe estes seis cartões.
Onde
A Itália e, depois, o Mediterrâneo inteiro, da Bretanha ao Egito. Roma, a capital, vive às margens do Tibre, entre sete colinas.
Quando
A cidade, pela tradição, de 753 a.C.; a república, de c. 509; o Império, de 27 a.C. O Ocidente cai em 476 d.C., e o Oriente dura até 1453.
Por que importa na Bíblia
É o poder que governa a Judeia de Jesus, que prende Paulo, que queima o Templo e que o Apocalipse chama, em código, de Babilônia.
O momento mais famoso
A cruz: um julgamento romano, uma pena romana e um título em três línguas Jo 19.19-20.
"César" não é nome
Era o sobrenome de Júlio César e virou título de todo imperador. O Novo Testamento cita Augusto, Tibério e Cláudio. Nero aparece só como "César".
A prova fora da Bíblia
A pedra de Pilatos, achada em Cesareia em 1961, é a única inscrição em pedra do tempo com o nome dele.
O grego do Novo Testamento está cheio de palavras latinas. Strong (1890) as marca como "de origem latina": kentyríōn (κεντυρίων), "centurião"; legeṓn (λεγεών), "legião"; mílion (μίλιον), "milha"; kolōnía (κολωνία), "colônia" de veteranos; Kaîsar (Καῖσαρ), "César". São vestígios do império dentro do texto. E o título "Augusto" é Sebastós (Σεβαστός), "venerável", em grego: é a palavra de que Festo se serve ao falar do imperador a Agripa At 25.21.
Leve o livro com você
Baixe Roma — o livro completo, com os 11 capítulos, em PDF — diagramado, com as obras de arte e as 4 camadas de estudo, pronto pra ler offline, imprimir ou usar no preparo do sermão.
🔒 Baixar PDF completo