O Protestantismo no BrasilCapítulo 11 de 11 ⤓ PDF
Quadro estatístico impresso, muito largo, em preto e branco: colunas de sexo, condição (livres e escravos), estado civil e raça, com números por província de origem, e totais à direita.
CAPÍTULO 11 DE 11

Os números e a Bíblia hoje

Neopentecostais, censos e a Bíblia em português no século XXI

Em 1872, o recenseador que batia à porta só tinha duas palavras para anotar: cathólico ou acathólico. De lá até o censo de 2022, a pergunta mudou, as igrejas mudaram e a Bíblia em português chegou a mais mãos. O que os números dizem, e o que eles não dizem.

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Em 1872, o Império do Brasil fez o seu Recenseamento Geral. O recenseador que batia à porta tinha de assinalar, para cada morador, uma entre duas palavras: "cathólico" ou "acathólico". Segundo o IBGE, que reconta essa história no Censo de 2022, toda a população escravizada foi então recenseada como católica, sem possibilidade de declarar outra religião. O resultado publicado foi de 99,7% de católicos.

É com esse número que este último capítulo começa, porque ele é o ponto de partida da conta que o livro todo acompanhou, de 1555 a hoje. Daqui em diante, o capítulo faz quatro coisas: mostra o que os censos de 1872 a 2022 contam (e o que não contam); conta como as igrejas da chamada terceira onda entraram nessa história, com as palavras de quem as defende e de quem as estuda; mostra o que católicos fizeram com a Bíblia depois de 1965; e diz em que pé está a Bíblia em português no Brasil, com os dados que existem e as perguntas que ainda não têm resposta.

01 — OS CENSOSUma pergunta que mudou de forma

A pergunta sobre religião nunca foi a mesma duas vezes. Em 1890, o campo era aberto, e o IBGE publicou católicos romanos, protestantes, ortodoxos, "islamitas" (como diz a tabela), positivistas e sem culto. Em 1900 a religião foi coletada, mas os dados, escreve o IBGE, nunca chegaram a ser divulgados; em 1920 o tema não foi investigado; em 1880, 1910 e 1930 não houve censo. Em 1940 e 1950 o campo seguia aberto, agora chamado "religião". Em 1960 passou a ser fechado, com a opção impressa "Protestante"; em 1970, com a opção "Evangélica". Desde 1980 o campo é aberto de novo, e o recenseador anota o que ouve. A partir de 2000, a resposta passou a ser classificada por um sistema informatizado com banco de descritores, capaz de separar denominações.

👁️ Como era viver ali

Como é a cena do recenseador de 2022? Segundo o IBGE, a pergunta, dirigida a pessoas de 10 anos ou mais, era "Qual é sua religião ou culto?". Se o morador declarasse mais de uma religião, o recenseador registrava todas. A resposta era escrita como foi dita e só depois codificada. Em 2010, a regra para quem não podia responder, uma criança pequena, era a de que ela tinha a religião da mãe. Em 1872, só havia as duas palavras impressas.

O que os números mostram, na população total até 2010 (percentuais de 1940 a 1960 calculados a partir das contagens do Anuário Estatístico do IBGE; os demais, do próprio texto do IBGE) e, em 2022, na população de 10 anos ou mais:

1872
Católicos: 99,7% (9.902.712 de 9.930.478). "Acatólicos": 0,3%.
1890
Católicos: 98,9%. Protestantes: 143.743 pessoas (1,0%).
1940
Católicos: 95,0%. Protestantes: 2,6%.
1950 · 1960
Católicos: 93,5% e 93,1%. Protestantes: 3,4% e 4,0%.
1970
Católicos: 91,8%. Evangélicos: 5,2%.
1980
Católicos: 89,0%. Evangélicos: 6,6%.
1991
Católicos: 83,0%. Evangélicos: 9,0%.
2000
Católicos: 73,6%. Evangélicos: 15,4% (26.184.941 pessoas).
2010
Católicos: 64,6%. Evangélicos: 22,2% (42.275.440). Sem religião: 8,0%.
2022 (10 anos ou mais)
Católicos: 56,7% (100.216.153). Evangélicos: 26,9% (47.418.024). Sem religião: 9,3% (16.385.342).

Há três cuidados para ler essa série. O primeiro é a base: em 2022 o IBGE só perguntou a quem tinha 10 anos ou mais, e ele mesmo avisa que os dados de 1872 e 1890 se referem à população inteira. Na base de 10 anos ou mais, em 2010 os católicos eram 65,1% e os evangélicos, 21,6%; por isso, o IBGE descreve a queda de 2010 a 2022 como de 8,4 pontos percentuais para os católicos, e a alta dos evangélicos como de 5,2 pontos. O segundo é que os resultados de 2022 são "preliminares da amostra", segundo o título da publicação de 2025, e não separam denominações: o último número da Assembleia de Deus, da Batista, da Universal e das demais é o de 2010. As contagens de 2022 citadas aqui vêm da tabela 9537 do SIDRA, do IBGE. O terceiro é a mudança de pergunta, que já apareceu: 1960 e 1970 tinham campo fechado, 1980 em diante, aberto.

O censo de 2010 é o último que permite olhar por igreja. Declararam-se da Assembleia de Deus 12.314.410 pessoas (6,5% da população); da Batista, 3.723.853; da Congregação Cristã no Brasil, 2.289.634; da Universal do Reino de Deus, 1.873.243; do Evangelho Quadrangular, 1.808.389; da Adventista, 1.561.071. Entre 2000 e 2010 a CCB e a Universal diminuíram em números absolutos, segundo a base do IBGE no SIDRA. E 9.218.129 pessoas (4,8% da população) responderam apenas "evangélica", sem que desse para classificá-las como de missão ou pentecostais; o IBGE chamou o fenômeno de "aumento expressivo" do segmento que só se declarou evangélico.

🏺 O que os arquivos guardam

Em outubro de 2022, antes do censo, o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves publicou uma projeção para o ano: 49,9% de católicos e 31,8% de evangélicos. O censo mostrou 56,7% e 26,9%, na base de 10 anos ou mais. A diferença não é uma falha do projetista: é a lição de que projeções não são fatos. Na mesma linha, Alves e colegas (Tempo Social, 2017) resumem que Paul Freston acreditava, em 2010, num piso de cerca de 40% para os católicos e num teto abaixo de 40% para os evangélicos, e escrevem que não é possível prever se o crescimento evangélico chegará a um teto.

⚠️ O censo registra declarantes, e não membros. Cada igreja tem o seu critério de membresia (batismo, frequência, rol), e o censo, que pergunta só ao morador, não permite comparar as duas contagens. A Assembleia de Deus, como o capítulo 10 mostrou, estima a si mesma muito acima do censo; as duas medidas respondem a perguntas diferentes.

02 — A TERCEIRA ONDADo galpão da Abolição à televisão

Para Paul Freston, a terceira onda de criação de igrejas pentecostais começou depois da modernização autoritária do regime militar, e nenhuma cidade a viveu tanto quanto o Rio de Janeiro. A Igreja Universal do Reino de Deus é o exemplo que ele cita. O portal da própria Universal conta que Edir Macedo, então pastor, pregava aos sábados num coreto do Méier, e que o primeiro culto foi realizado em 9 de julho de 1977, num antigo galpão de funerária no bairro da Abolição, com cerca de 225 pessoas. O mesmo portal, citando um livro de Macedo, acrescenta um detalhe: a igreja daquele dia se chamava Igreja da Bênção, e só dois anos depois mudaria de nome para Universal; a data de 9 de julho foi mesmo assim adotada, internamente, como a do nascimento.

Outras datas da onda, conforme as fontes: a Igreja Internacional da Graça de Deus, de R. R. Soares, é de 1980 (Freston, citado por Gandra; Alves et al.); a Renascer em Cristo, de Estevam e Sônia Hernandes, de 1986 (Pew Forum). Em 1989 a Universal comprou a TV Record, fato registrado por Freston, Moraes e Gandra. Gandra registra que exorcismos e apelos por ofertas e dízimos na televisão causaram "desconforto" nas principais igrejas evangélicas, e que a cobertura jornalística crítica dos anos 1990 e a crise de identidade entre pentecostais vieram a seguir. Este livro não repete acusações contra pessoas ou instituições: registra só que houve atrito entre evangélicos, e entre eles e a imprensa.

O sociólogo Ricardo Mariano, que usa o termo "neopentecostal", propôs uma tipologia: um pentecostalismo "clássico" (CCB e Assembleia de Deus), um "deuteropentecostalismo" (Quadrangular, O Brasil para Cristo, Deus é Amor) e o neopentecostalismo (Universal, Internacional da Graça, Renascer, Sara Nossa Terra). Três traços o definiriam, segundo Mariano 2005, citado por Gandra: a guerra contra o diabo, a teologia da prosperidade e a liberalização dos usos e costumes tradicionais de santidade pentecostal. Freston descreve ondas históricas de criação de igrejas; Mariano, tipos por traços. As duas tipologias se entrecruzam, e não coincidem.

Há críticas de pesquisadores ao próprio rótulo. Gerson Leite de Moraes, na revista REVER (PUC-SP, 2010), argumenta que o conceito "neopentecostal" envelheceu, e propõe "transpentecostal". Magali Cunha, segundo um editorial de 2023, diz que a categoria já não serve como explicação, primeiro pela diversidade do mundo evangélico desde os anos 2000, e depois porque o termo é usado de forma incorreta, associando neopentecostal a ultraconservadorismo. Alves e colegas mostram que a literatura periodiza as ondas de modos diferentes. O mesmo editorial vai além e afirma que o neopentecostalismo "de pentecostal tem muito pouco ou nada"; esse é o juízo da revista, e não um consenso acadêmico. Gandra lembra, por fim, que as classificações são "apenas delimitações metodológicas".

03 — PROSPERIDADE E GUERRA ESPIRITUALCada lado com as próprias palavras

"Teologia da prosperidade" é um rótulo dos pesquisadores e dos críticos, e não o nome que as igrejas dão a si mesmas. Quem defende o ensino tem seus próprios termos. O portal da Universal, na seção "Em que cremos", diz que a igreja fundamenta a sua fé e crença exclusivamente na Palavra de Deus, na Bíblia Sagrada, e cita 2 Timóteo 3.16-17. Edir Macedo, em texto publicado no mesmo portal em 2012, "Dízimo e Dizimista", comenta Malaquias 3.7-9 e afirma que Deus nunca revogou a Lei dos dízimos. A palavra "prosperidade" não aparece nesse texto: é a que pesquisadores como Mariano e Freston usam para descrever o conjunto desses ensinos.

Para o tema da guerra espiritual, vale um dado de contexto: a Congregação Cristã, igreja clássica, também ensina nos seus pontos de doutrina a existência pessoal do diabo e de seus anjos, com Mateus 25.41. Crer no diabo é comum às ondas. O que os estudiosos apontam na terceira é a centralidade e a ritualização do combate.

Do lado de quem examina, Ricardo Mariano (resumido por Mezzomo) escreve que a teologia da prosperidade dá à religião uma função instrumental e utilitária. Paul Freston, sociólogo e ele mesmo protestante, escreveu em 1996 que, no lugar da ética do trabalho diligente e do consumo frugal, aparecem a teologia da prosperidade e o ideal de enriquecimento rápido por meios rituais. E há a voz de dentro das Assembleias: a Carta de Campinas, de um seminário da CGADB e da CPAD em agosto de 2010, que afirma a identidade da "pentecostalidade clássica" e diz que igrejas pentecostais estão se "neopentecostalizando" por falta de sólida formação bíblico-teológica. Na leitura de Gandra, o documento não cita nomes de igrejas.

Para o leitor que quer ler a Bíblia ao lado do debate, sem atribuir os textos a nenhum dos lados: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos" Ml 3.10; "o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males" 1Tm 6.10; "Não podeis servir a Deus e a Mamom" Mt 6.24; "Honra ao Senhor com os teus bens" Pv 3.9. Os quatro estão na Bíblia, e uma boa leitura de cada um passa pelo contexto do livro em que está.

🌱 Semente de sermão

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim" At 17.11. Os bereanos não rejeitaram a pregação de Paulo, nem a aceitaram de olhos fechados: abriram o texto todos os dias. Tanto num debate sobre dízimo quanto sobre qualquer ensino novo, o critério de Atos 17 é o texto aberto sobre a mesa, e a conversa franca entre irmãos.

04 — OS CATÓLICOS E A BÍBLIADo Vaticano II à Bíblia Pastoral

O catolicismo brasileiro também mudou a sua relação com o livro. A constituição Dei Verbum, de 18 de novembro de 1965, pede no n. 22 que os fiéis tenham "acesso patente à Sagrada Escritura" e que se façam traduções aptas e fiéis, sobretudo a partir dos textos originais; se elas forem feitas em colaboração com "os irmãos separados", diz o texto, poderão ser usadas por todos os cristãos. O n. 25 exorta todos os fiéis à leitura frequente das Escrituras, com oração, e cita são Jerônimo: a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo.

No Brasil, a Bíblia de Jerusalém foi lançada pela Paulus em 1981, com revisão em 2002 e com notas técnicas e exegéticas; a Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, da mesma editora, é de 1990 e recebeu o imprimatur em 1991, de d. Luciano Mendes de Almeida, então presidente da CNBB, e foi pensada para comunidades de base, círculos bíblicos e catequese. A Tradução Ecumênica da Bíblia (Loyola, 1994) aparece em bibliografias como versão católica e ecumênica. Há, dentro do catolicismo, críticas à Edição Pastoral, e a própria Paulus respondeu a elas em uma nota de 2024; é um debate interno, que o livro só registra.

No fim dos anos 1960, nasceu um movimento carismático dentro da Igreja Católica. A Renovação Carismática Católica, segundo Sofiati (Estudos de Religião, 2009), tem origem em 1969, em Campinas (SP), na ação do jesuíta Haroldo Rahm, com o impulso decisivo de Eduardo Dougherty; outros autores falam em ambos, e atribuir só a um deles é simplificação.

Do lado ecumênico, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) foi criado em 1982, em Porto Alegre, depois de conversas desde 1975 entre as presidências da Igreja Católica, da Igreja Luterana, da Igreja Episcopal Anglicana e da Metodista. Hoje seus membros incluem a Aliança de Batistas do Brasil, a Igreja Católica, a Episcopal Anglicana, a IECLB e a Igreja Presbiteriana Unida; a Metodista, que o fundou, não integra mais. As igrejas pentecostais não são membros.

05 — A BÍBLIA EM PORTUGUÊS HOJEQuem imprime, quem lê, quem entende

A Sociedade Bíblica do Brasil nasceu no Rio de Janeiro com o lema "Dar a Bíblia à Pátria", em 10 de junho de 1948, segundo o seu site. Ela assumiu as atividades de tradução, produção e distribuição da Bíblia no território nacional. Sua sede está em Barueri (SP) desde 1987, e a Gráfica da Bíblia funciona ali desde 1995. A linha do tempo do site da SBB registra 100 milhões de Bíblias e Novos Testamentos produzidos desde 1995, em 2011, e 200 milhões impressos em 2024. E, no relatório das Sociedades Bíblicas Unidas de 2024, que o Brasil foi o país que mais distribuiu Bíblias completas impressas naquele ano, com 4,19 milhões. São números da própria instituição, que não foram auditados por terceiros.

Quem lê? O Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro (6.ª edição, 2024), mede a leitura de livros, inteiros ou em partes, nos três meses anteriores à entrevista. Seus números: 47% da população de 5 anos ou mais foi classificada como leitora (93,4 milhões), contra 52% em 2019. A Bíblia continua em primeiro lugar entre os livros "mais marcantes" e entre os "últimos lidos", em todas as edições desde 2007. E 22% das pessoas (44 milhões) leram a Bíblia por vontade própria nos três meses anteriores, contra 24% (45,7 milhões) em 2019. O estudo não distingue leitura devocional, litúrgica ou ouvida em áudio.

O Pew Research Center perguntou outra coisa em 2014: com que frequência a pessoa lê ou ouve as Escrituras fora dos cultos. No Brasil, 29% do total responderam que leem ou ouvem ao menos uma vez por semana; entre os protestantes, 62%; entre os católicos, 17%. As duas pesquisas não são comparáveis entre si: uma mede livros lidos em três meses, a outra um hábito semanal declarado. O que a do Pew acrescenta é a diferença entre os grupos religiosos nesse hábito declarado.

🔎 A palavra original

Romanos 10.17 diz, na ACF: "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" Rm 10.17. A palavra traduzida por "ouvir", duas vezes no versículo, é ἀκοή (akoḗ, G189), que o dicionário de Strong define como "audição (o ato, o sentido ou a coisa ouvida)". Na mesma frase, "palavra" é ῥῆμα (rhēma, G4487), "uma declaração". As edições críticas do texto grego trazem "de Cristo" onde a ACF traz "de Deus"; as duas leituras existem na tradição. O capítulo 10 descreveu esse caminho para quem lia pouco: o culto, o hino, o versículo decorado, a revista lida em voz alta.

As traduções, o capítulo 3 as apresentou: a Almeida Revista e Corrigida e a Revista e Atualizada (1959), a Almeida Corrigida Fiel (1994), a Nova Versão Internacional (prefácio de 2001), a Nova Versão Transformadora (2016) e, da SBB, a Nova Almeida Atualizada (2017) e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000). Quem usa qual tradução, as pesquisas citadas aqui não informam, nem trazem vendas por tradução.

06 — O QUE AINDA NÃO SE SABEPerguntas em aberto, sem juízo

Nem todo número que falta é descuido de quem pesquisa. Alguns não existem. Não há contagem oficial de denominações evangélicas: o IBGE reconhece que em 2010 um segmento grande não se enquadrou, e o estudo do Ipea de 2023 conta CNPJs (124.529 estabelecimentos religiosos em 2021, entre os quais 11% católicos, 19% evangélicos tradicionais e 52% pentecostais ou neopentecostais), e não templos nem fiéis. A classificação foi feita pelas palavras do nome da razão social.

As pesquisas citadas aqui medem hábito de leitura declarado, e não quanta gente entende o que lê. Sabe-se, pelo censo, que o grupo "sem religião" chegou a 9,3% em 2022, mais concentrado entre pessoas de 20 a 24 anos (14,3%, cálculo sobre a base do IBGE) do que entre as de 70 a 79 (4,1%). Isso é um retrato de um momento, e não prova que cada geração seja menos religiosa do que a anterior: ele mostra que a distribuição hoje é essa.

A relação entre as igrejas evangélicas e a política brasileira tem pesquisa própria, a partir de Freston, autor de Protestantes e política no Brasil: da Constituinte ao impeachment (tese, Unicamp, 1993); este livro, que escolheu contar a Bíblia e as igrejas, deixa o tema para quem o estuda.

Os dados dizem quem tem o livro e quem diz que o lê. Sobre a compreensão, a pergunta que Filipe fez ao eunuco, "Entendes tu o que lês?" At 8.30, e a resposta dele, "Como poderei entender, se alguém não me ensinar?" At 8.31, continuam sendo as perguntas que as igrejas deste livro tiveram de responder, cada uma a seu modo.

LINHA DO TEMPOA Bíblia e as igrejas, de 1948 a 2024

Datas de fontes oficiais das próprias instituições e do IBGE; onde há divergência, o texto do capítulo diz.

10 de junho de 1948
Fundação da Sociedade Bíblica do Brasil, no Rio de Janeiro.
18 de novembro de 1965
Constituição Dei Verbum sobre a Revelação divina.
1969
Origem da Renovação Carismática Católica, em Campinas.
9 de julho de 1977
Primeiro culto da Igreja Universal do Reino de Deus, na Abolição (data oficial da igreja).
1981
Bíblia de Jerusalém, pela Paulus.
1982
Criação do CONIC, em Porto Alegre.
1987 · 1995
Sede da SBB em Barueri; Gráfica da Bíblia.
1989
A Universal compra a TV Record.
1990 · 1991
Bíblia Edição Pastoral; imprimatur.
26–28 de agosto de 2010
Seminário de Campinas e a Carta de Campinas, das Assembleias de Deus.
2010 · 2022
Censos: 22,2% e 26,9% de evangélicos (bases diferentes).
2024
Retratos da Leitura: a Bíblia segue em primeiro entre os livros mais marcantes.

PARA LEVAR NA BÍBLIAOito versículos-chave

Neemias 8.8"E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse."
Salmos 119.105"Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho."
Salmos 119.130"A entrada das tuas palavras dá luz, dá entendimento aos símplices."
Atos 8.30-31"E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse."
Atos 17.11"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim."
Romanos 10.17"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus."
2 Timóteo 3.16-17"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra."
João 17.21"Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste."

PARA FIXARO que ficou do capítulo

📊

De 99,7% a 56,7%

Católicos em 1872 (população total) e em 2022 (10 anos ou mais). As bases são diferentes; a pergunta também mudou.

🌊

Três ondas, duas tipologias

Freston fala de ondas históricas; Mariano, de tipos. Os dois são criticados por outros pesquisadores.

📖

Bíblia depois de 1965

Dei Verbum, Bíblia de Jerusalém (1981) e Edição Pastoral (1990) mudam a leitura entre católicos.

📚

22% leram a Bíblia em três meses

Retratos da Leitura 2024: a Bíblia segue em primeiro lugar entre os livros marcantes, mas o número de leitores caiu.

Aqui se encerra o livro. Muitas das ideias e dos missionários que ele acompanhou vieram da Europa da Reforma e dos Estados Unidos, que são temas de outros volumes da série Povos e Mundos da Bíblia.

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