O Protestantismo no BrasilCapítulo 9 de 11 ⤓ PDF
Fotografia em preto e branco do mercado de ferro do Ver-o-Peso, em Belém, com torres pontiagudas ao fundo, muitos barcos a vela e canoas atracados na doca e um poste de luz em primeiro plano
CAPÍTULO 9 DE 11

Chicago, Belém e São Paulo

O pentecostalismo chega em 1910: Congregação Cristã e Assembleia de Deus

Dois suecos de terceira classe chegam a Belém em 19 de novembro de 1910, sem falar português e sem ninguém no cais. Em sete meses, uma igreja batista se divide, e nasce uma igreja nova. Ao mesmo tempo, um italiano batiza os primeiros convertidos no Paraná e em São Paulo.

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Belém do Pará, 19 de novembro de 1910. Dois suecos de terceira classe desembarcam de um navio, quatorze dias depois de saírem de Nova York. Não há ninguém no cais para recebê-los. Não falam português. Ficam num hotel que cobra 16 mil-réis por dia. Quem os leva, depois, a uma igreja é um missionário metodista americano, Justus Nelson, e a igreja é a Igreja Batista.

Os dois se chamam Gunnar Vingren e Daniel Berg. A cena vem do Diário do Pioneiro, que o filho de Vingren, Ivar, montou a partir de uns vinte e cinco cadernos do pai (CPAD, 2000). Em sete meses eles estarão no centro de uma crise numa igreja batista, e logo depois será fundada uma igreja nova, a que os brasileiros conhecem como Assembleia de Deus. Este capítulo conta como dois imigrantes suecos e um italiano, saídos de Chicago, trouxeram ao Brasil em 1910 uma experiência que chamavam de batismo no Espírito Santo, e o que se sabe, com fonte, sobre cada começo.

01 — DE TOPEKA A CHICAGOParham, Seymour e Durham

O pentecostalismo moderno tem uma pré-história norte-americana, e os historiadores contam-na com variações. Segundo o historiador Maxwell Fajardo (UNESP, 2015), que resume Synan e Araújo, em 1900–1901, num seminário bíblico em Topeka, no Kansas, Charles F. Parham ensinou que o batismo no Espírito era uma experiência distinta da conversão, com o falar em línguas como evidência, e em 1.º de janeiro de 1901 uma aluna, Agnes Ozman, falou em línguas. O discípulo de Parham, William J. Seymour, filho de ex-escravos, mudou-se para Los Angeles e fundou, em 1906, na Rua Azusa, 312, a "Missão da Fé Apostólica". A historiografia pentecostal costuma creditar a Seymour, e não a Parham, o papel de pai do pentecostalismo moderno. A história que a própria Assembleia de Deus conta, no livro de Emílio Conde (1960), cita Azusa Street, em 1906, como centro irradiador, nomeia Seymour e não menciona Parham.

Em Chicago, William H. Durham, pastor da North Avenue Full Gospel Mission, visitou Azusa em 1907, recebeu o batismo no Espírito e fez da sua missão um centro do avivamento no Meio-Oeste. Por ali passaram, segundo Fajardo, Aimee Semple McPherson, Luigi Francescon (CCB) e Vingren, o que o Diário não sustenta (veja a seguir). Durham pregou depois a "obra consumada", que, segundo a literatura, rejeitava a "segunda bênção" da santificação instantânea; morreu em 1912, e em 1914, em Hot Springs, no Arkansas, nasceram as Assemblies of God dos EUA. Wulfhorst (1995) diz que de Durham saem as "três vertentes" (Assembleia de Deus, Congregação Cristã e Quadrangular); é interpretação dele, não fato documental único.

Um detalhe importa para não repetir um erro frequente: segundo o próprio Diário, Vingren recebeu o batismo no Espírito num culto na Primeira Igreja Batista Sueca de Chicago, e não na missão de Durham. O livro diz que ele e Berg foram "recomendados e enviados" a uma igreja pentecostal em Chicago, onde Durham era pastor, mas não a une ao batismo. Fajardo e Wulfhorst juntam as duas coisas ("conheceram-se na igreja de Durham"); o que o Diário sustenta é outra versão.

02 — VINGREN E BERGChicago, South Bend e o nome de um lugar que ninguém sabia achar

Gunnar Vingren nasceu em 8 de agosto de 1879 em Östra Husby, na Suécia, e converteu-se de novo em 1896, batizado batista. Emigrou em 1903, chegando a Kansas City em 19 de novembro, e entrou em setembro de 1904 no seminário batista sueco de Chicago; diplomou-se em maio de 1909. Foi pastor da Primeira Igreja Batista de Menominee, em Michigan, de junho de 1909 a fevereiro de 1910. Em novembro de 1909, numa conferência na Primeira Igreja Batista Sueca de Chicago, depois de cinco dias de busca, teve o que o Diário descreve como o batismo no Espírito Santo e o falar em novas línguas, como em Atos 2. Ao pregar a doutrina, a igreja de Menominee se dividiu e ele deixou o pastorado. Foi para South Bend, em Indiana, onde uma igreja batista, segundo ele, "se tornou pentecostal". Deixou South Bend em 12 de outubro de 1910.

Daniel Berg nasceu em 1884 em Vargön, na Suécia (a data está na Declaração de Fé da CGADB; o nome de nascimento, Daniel Gustav Högberg, só aparece em Fajardo), e emigrou em 1902. No Diário, trabalhava numa quitanda em Chicago quando "o Espírito Santo mandou" que se mudasse para South Bend; em Belém foi fundidor e depois colportor. Vingren conta que o conheceu em Chicago em novembro de 1909; outras fontes, como Fajardo, dão a conferência em 1910. Onde e quando Berg teve o batismo no Espírito, as fontes não concordam: o Diário não diz, as memórias dele (Enviado por Deus), resumidas por Fajardo, falam de uma experiência numa viagem à Suécia, e Wulfhorst o põe na igreja de Durham. Este livro não afirma o local nem a data.

Em South Bend, no verão de 1910, nas reuniões de oração de sábado, um irmão, Adolfo Ulldin, "foi arrebatado em espírito", e Vingren conta que o Espírito falou por ele dizendo que Vingren devia ir ao Pará. Segundo o Diário, a mensagem trazia detalhes: o povo seria de nível social muito simples, ele lhe ensinaria os primeiros rudimentos da doutrina, e eles ouviram a língua daquele povo, o português. Nenhum deles sabia onde ficava o Pará. Foram a uma biblioteca da cidade e descobriram que havia um lugar com esse nome no norte do Brasil. A data da partida, 5 de novembro de 1910, teria sido revelada também. Em Nova York disseram que não havia navio nesse dia, mas o navio Clement, atrasado por reparos, saiu em 5 de novembro. Vingren tinha dado 90 dólares à revista pentecostal de Durham e, em um culto em Chicago, diz ter encontrado mais do que o necessário para a viagem.

🏺 O que os arquivos guardam

Há três versões dessa viagem, e elas diferem. A do Diário (que é um livro organizado pelo filho a partir dos cadernos do pai, não o diário cru) põe a profecia na voz de Ulldin, a chamada de Berg depois, e os 90 dólares como dinheiro do próprio Vingren. A história oficial de Emílio Conde (1960, encomendada pela CGADB) simplifica: a profecia é para os dois, a ida à biblioteca é dos dois, e o dinheiro vem de um negociante encontrado na rua. E as memórias de Berg (Enviado por Deus), segundo Fajardo, são história oral escrita anos depois, com divergências de datas, nomes e sequência de alguns eventos. Há ainda uma lenda popular de que ouviam "pára, pára", que não está em nenhuma das três. Fajardo chama a narrativa do Diário e de Conde de "mito fundador": uma narrativa épica das origens, repetida por pastores para reforçar a identidade de seus grupos. Isso não diz que seja falsa; diz que ela cumpre a função de contar de onde a igreja vem. O mesmo Fajardo e Paul Freston observam que a escolha de Belém não era tão improvável: o Pará estava na rota comercial da borracha, e os Estados Unidos eram grandes compradores. O crente lê direção divina, e o historiador acrescenta o contexto econômico. As duas leituras podem ser contadas lado a lado.

03 — BELÉM, 1910–1911Uma igreja batista, uma crise e uma data

A Primeira Igreja Batista de Belém fora fundada em 1897 pelo sueco Eurico Alfredo Nelson (Erik Alfred Nilsson, no Diário). Segundo Fajardo, Raimundo Nobre não era pastor, como se costuma dizer: era o evangelista da igreja, que estava sem pastor, e o moderador era o diácono José Plácido da Costa. Os recém-chegados ficaram num porão por dois dólares por dia, e Adriano Nobre, presbiteriano, levou-os por cerca de um mês e meio ao rio Tajapuru. Vingren estudava português de dia e ensinava Berg à noite. Em maio de 1911, a pedido dos diáconos, dirigiu cultos de oração.

👁️ Como era viver ali

O que Berg conta do seu ofício. Ele trabalhou em Belém como fundidor e, depois, como colportor de Bíblias. Em suas memórias, segundo Fajardo, diz que vender Bíblias era mais fácil do que imaginara, "considerando que um pouco mais de 20% da população da cidade de Belém sabia ler", e que muita gente comprava a Bíblia para que um parente alfabetizado a lesse numa visita futura. O número de 20% é de Berg, em memórias escritas anos depois, e não dado de censo. Berg afirma também que antes quase só o padre tinha um exemplar, e em latim; é afirmação dele, que um leitor católico pode contrapor com o que os capítulos 3 e 5 contaram sobre a Bíblia católica de Figueiredo. Em 1912 ele encomendou Bíblias da Sociedade Bíblica Americana; em três anos, segundo uma fonte citada por Fajardo, teria distribuído duas mil Bíblias, quatro mil Novos Testamentos e seis mil Evangelhos.

Em início de junho de 1911, Celina de Albuquerque, que fora curada de uma doença nos lábios, falou em línguas durante um culto de oração. O Diário chama o fato de a primeira operação de batismo com o Espírito Santo em terras brasileiras. A data do evento varia nas fontes: 2 de junho de 1911 em Conde (mas foi uma sexta-feira, e o Diário fala de uma quinta), 8 de junho em um jornal citado em resumo, e nenhuma data no Diário. No dia seguinte, Maria de Nazaré teve a mesma experiência.

A ruptura veio em uma reunião de igreja. Segundo o Diário, o evangelista convocou os membros a um culto extraordinário e pediu que quem estivesse de acordo com "a nova seita" se levantasse. Dezoito se levantaram e foram, na hora, "cortados da comunhão da igreja", em 13 de junho de 1911. Conde dá 12 de junho e conta 17 membros e alguns menores. Fajardo, cruzando as fontes, observa que a ata da própria Igreja Batista de Belém confirma o dia 13. E dá a leitura do historiador batista Almeida (1981): foram excluídos treze membros batizados, onze deles estrangeiros (seis portugueses e cinco espanhóis); os demais eram congregados não batizados, e três aderiram na mesma semana. Se Berg e Vingren foram formalmente excluídos, as fontes divergem: Portella e Fajardo dizem que sim, e Conde diz que o grupo "convidou" os missionários. Em setembro de 1911, a Igreja Batista declarou-se "não mais responsável" pelo grupo da Cidade Velha. O pastor da cena, segundo o Diário, abriu a Bíblia em 2 Coríntios 6.17-18 ("saí do meio deles").

Cinco dias depois, em 18 de junho de 1911, um domingo, o grupo passou a se reunir na casa de Celina de Albuquerque, na Rua Siqueira Mendes, na Cidade Velha. Para Conde e para a CGADB, essa é a data da fundação da Assembleia de Deus, com 17 pessoas e os dois missionários. O Diário não registra o dia 18, e por isso o livro o atribui à tradição da Convenção. O nome da igreja, na época, era Missão da Fé Apostólica. Segundo o Diário, em 11 de janeiro de 1918 a igreja foi registrada para se tornar pessoa jurídica, com o nome de "Assembleia de Deus". Outras datas circulam: 4 de janeiro, que um portal da denominação dá como a data do primeiro estatuto, e 18 de janeiro, sem fonte primária conhecida; o livro segue o Diário e registra a divergência. O nome já estava em uso antes: Frida Vingren escreveu em 1917 que estava na placa da igreja, e o jornal Voz da Verdade (novembro de 1917) usa os dois. De onde veio o nome? Fajardo aponta as Assemblies of God dos EUA (1914) e Alencar levanta a hipótese de uma ligação de Vingren com Nels Nelson, ordenado nos EUA em 1917. Mas Fajardo e Alencar lembram que a Assembleia de Deus brasileira não tem vínculo institucional com a norte-americana, que só teve missionários oficiais aqui a partir de 1936. As Assembleias comemoram o aniversário em 18 de junho (os "110 anos" em 2021).

🔎 A palavra original

O texto que as duas igrejas do capítulo mais citam é a cena de Pentecostes:

"E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" At 2.4. O grego traz ἑτέραις γλώσσαις (heterais glṓssais), "outras línguas", e a palavra γλῶσσα (glōssa, G1100) é definida por Strong como "a língua; por implicação, um idioma (especialmente um que não se adquiriu naturalmente)". O verbo final, "falassem", é ἀποφθέγγεσθαι (apophthéngesthai, de G669, "enunciar claramente, declarar"), que Lucas usa de novo, algumas linhas depois, para o discurso de Pedro: ele "levantou a sua voz" e "disse-lhes" (At 2.14, na ACF). É o mesmo verbo para a fala em línguas e para o sermão, e é um dado do texto; ele não decide as discussões sobre o que são as línguas, que as próprias igrejas pentecostais descrevem de modos diferentes (a CCB, por exemplo, não aceita o rótulo "pentecostal").

04 — A CONGREGAÇÃO CRISTÃLuigi Francescon e os italianos do Brás

Luigi (Louis) Francescon nasceu em 1866 em Cavasso Nuovo, na Itália, e emigrou para os Estados Unidos em março de 1890. Em Chicago, converteu-se em 1891, numa missão valdense e presbiteriana, e em 1892 foi fundada na região a primeira igreja presbiteriana italiana. Em 1907, ele e a esposa Rosina receberam o batismo no Espírito na missão de Durham (as datas variam: 25 de agosto, em Wulfhorst; 15 de setembro, em Alves, que é um membro-pesquisador da CCB; o ano de 1907 é o que as fontes confirmam). Em 1909 foi à Argentina com Giacomo Lombardi e foram presos e deportados. Chegou ao Brasil em março de 1910, por Santos, e seguiu de trem para São Paulo.

Foi convidado a ir a Santo Antônio da Platina, no Paraná, por um italiano, Vicenzo Pievani, e ali fez os primeiros batismos. As fontes divergem: 20 de abril de 1910, com nove pessoas (Dreher); 5 de junho, com onze, o primeiro delas Antonio Felicio Mascaro (Alves). Em junho de 1910 estava em São Paulo, no bairro do Brás, entre italianos evangélicos ligados à Igreja Presbiteriana do Brasil. Dreher conta que ele fundou ali, com alguns convertidos, a Congregação Cristã do Brasil. Alves conta que os italianos "aceitaram a doutrina do batismo por imersão e do Espírito Santo", e Siepierski lê o episódio como um cisma provocado por Francescon na Igreja Presbiteriana do Brás. O primeiro ancião foi o ex-presbítero Filippo Pavan. Francescon voltou aos Estados Unidos em setembro e viria ao Brasil dez vezes, a última de avião, em 1948.

A Congregação pregou em italiano nas duas primeiras décadas; a transição para o português se deu nos anos 1930. O nome estatutário, "Congregação Christã do Brasil", foi adotado em 1928. Não tem pastores com titularidade: o ministério é de anciãos, diáconos e cooperadores, sem rendimento de natureza salarial, segundo a descrição dos pesquisadores. Tem hinário próprio, Hinos de Louvores e Súplicas a Deus. Não registra o número de membros, pela proibição do Antigo Testamento de recensear o povo, segundo Wulfhorst; o IBGE contou 2.489.113 em 2000 e 2.289.634 em 2010. E um ponto de respeito: segundo os Tópicos da assembleia anual de ensinamentos de 2015, citados por Micaele Costa, a CCB declara oficialmente "não somos pentecostais". Os estudiosos a classificam como pentecostal pelo falar em línguas e a própria Congregação não aceita o rótulo; os dois fatos precisam ir juntos.

🏺 O que os arquivos guardam

Quem foi o primeiro? A cronologia dos fatos: a CCB, de março a junho de 1910, em Santos, Platina e Brás; a Assembleia de Deus, com a chegada dos suecos em 19 de novembro de 1910 e a igreja em 18 de junho de 1911 (pela tradição). Ambas vêm de Chicago, de imigrantes e sem sustento de missão estrangeira. Mendonça, citado por Wulfhorst, observa que Francescon não era missionário nem sustentado por uma missão estrangeira e que por isso a CCB pode ser vista como a primeira igreja pentecostal brasileira. Dreher (1991) escreveu que italianos e nordestinos são os primeiros pentecostais brasileiros, migrantes, e que a CCB cresceu mais depressa no começo (30.800 em 1930, contra 14.000 da AD) enquanto a AD só inicia sua expansão real com a borracha. Para Freston, ambas são da "primeira onda", a dos anos 1910, que chamou de pentecostalismo clássico. Uma frase que se encontra, "a fundação da AD e da CCB em 1910", é imprecisa: a AD é de 1911, e os suecos chegaram em novembro de 1910.

⚠️ Os números de 1930 são estimativas de pesquisadores. Entre os documentos citados, não há disputa oficial de prioridade entre as duas igrejas, e a CCB rejeita o rótulo pentecostal.

05 — O QUE DIZEM SOBRE A BÍBLIAA Declaração de Fé da Assembleia de Deus

Para uma igreja que nasceu pela leitura de um texto em voz alta, a doutrina da Bíblia é central. A Declaração de Fé da CGADB (CPAD, 2016), o documento oficial de doutrina, diz na introdução que a Bíblia é a Palavra de Deus e a única autoridade inerrante para a vida, e que ela não é um credo, mas a fonte primária dele. Adota a inspiração "verbal e plenária" (2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21), o cânon protestante de 66 livros, e diz que não reconhece a autoridade espiritual dos livros que os católicos chamam de deuterocanônicos, ponto sobre o qual a Igreja Católica pensa diferente. A interpretação, diz o texto, é feita sob a orientação do Espírito Santo, "observando as regras gramaticais e o contexto histórico e literário". A profecia, como dom, não se torna fonte de autoridade como a dos profetas e apóstolos bíblicos e está sujeita a julgamento 1Co 14.29. E o batismo no Espírito, segundo a Declaração, é demonstrado pela evidência física de falar em outras línguas, com base em Atos 1.5; 2.4; 10.44-46 e 19.1-7, e Joel 2.28; é um "revestimento de poder do alto", distinto da salvação, e promessa a todos At 2.39.

"Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias." Atos 1.5

Uma observação do arquivo: Atos 8.14-17, o caso de Samaria, não está entre os textos da seção sobre o batismo no Espírito na Declaração. Sobre a tradução bíblica usada nos primeiros anos, as fontes citadas não dizem qual era.

Como a Bíblia era ensinada? O Diário traz uma cena de 1930, contada pelo sueco Lewi Pethrus: num trem saído de São Paulo, uma mulher católica diz que não sabe ler; Vingren se oferece para ler a Bíblia para ela e lê o Salmo 103, explicando o texto. Fajardo escreve que a Assembleia de Deus aproximou pessoas com pouca escolaridade ou analfabetas da linguagem escrita pela mediação da Bíblia, "livro obrigatoriamente lido em todas as reuniões", e que nos núcleos do interior nordestino cada participante, mesmo analfabeto, se responsabilizava por recitar um versículo decorado. Gedeon Alencar escreve que intelectuais criticam a leitura "moralista e literalista" dos pentecostais, e não percebem o significado social, para uma pessoa semiletrada, de ter um livro e lê-lo. Nos primeiros anos os pastores eram escolhidos, segundo Fajardo, por serem os únicos alfabetizados do núcleo ou por terem alguma experiência protestante. E a CCB? O hinário e a Bíblia, segundo Foerster, citado por Costa, são os únicos utensílios indispensáveis; o culto tem uma passagem bíblica e uma exegese do ancião. Que tradução a CCB usa não está dito nas fontes citadas.

🌱 Semente de sermão

"Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra […] para a terra que eu te mostrarei" Gn 12.1. Abrão partiu sem saber onde era a terra. Vingren e Berg foram a uma biblioteca descobrir onde ficava o Pará. Francescon foi à Argentina em 1909, foi deportado, e em 1910 estava em Santos. Quem parte antes de achar o lugar no mapa costuma achar, no caminho, a razão de ter partido.

LINHA DO TEMPODo Kansas ao Pará e ao Brás (1901–1918)

Datas do Diário de Vingren, de Conde, de Fajardo e de pesquisadores da CCB. Onde há divergência, o texto diz.

1.º de janeiro de 1901
Topeka (Kansas): Agnes Ozman fala em línguas, segundo a historiografia pentecostal.
1906–1907
Azusa Street, em Los Angeles, com Seymour; Durham visita Azusa em 1907 e depois lidera a North Avenue Mission, em Chicago.
1907
Francescon e a esposa recebem o batismo no Espírito em Chicago (o dia varia).
novembro de 1909
Vingren recebe o batismo no Espírito em Chicago, segundo o Diário.
março de 1910
Francescon chega ao Brasil, por Santos.
abril ou junho de 1910
Primeiros batismos em Santo Antônio da Platina (Paraná); em junho, o Brás, em São Paulo.
5 e 19 de novembro de 1910
Vingren e Berg partem de Nova York e chegam a Belém.
início de junho de 1911
Celina de Albuquerque fala em línguas em Belém.
13 de junho de 1911
Excluídos da Igreja Batista (18 pessoas, segundo o Diário; 13 batizados, segundo um historiador batista).
18 de junho de 1911
Fundação da Missão da Fé Apostólica, segundo a tradição da CGADB.
1914
Nascem as Assemblies of God nos EUA (Hot Springs, Arkansas).
11 de janeiro de 1918
A igreja é registrada com o nome de "Assembleia de Deus", segundo o Diário.

PARA FIXARO que ficou do capítulo

🚢

Belém, 19/11/1910

Vingren e Berg chegam de Nova York em terceira classe; a viagem tem três versões (Diário, Conde e Berg).

⛪

Junho de 1911

Ruptura em 13 de junho (ata batista e Diário) e fundação em 18 de junho (tradição da CGADB); o número de excluídos varia entre 13 e 18.

🇮🇹

Congregação Cristã, 1910

Francescon, Santo Antônio da Platina e Brás; cultos em italiano; a CCB declara que não é pentecostal.

📖

Bíblia lida em voz alta

Colportagem, leitura no culto e a Escola Dominical: para quem lia pouco, a Bíblia foi o primeiro livro.

Próximo capítulo: o que acontece com essa igreja entre 1911 e os anos 1960. Os missionários suecos, a Convenção de Natal em 1930, a Harpa Cristã, a casa publicadora e o crescimento pelo Norte e Nordeste, e depois a segunda onda, com a Quadrangular, o Brasil para Cristo e a Deus é Amor.

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