SOBRE ESTE LIVROO protestantismo no Brasil, em poucos minutos
Quarta-feira, 10 de março de 1557, numa ilhota da baía de Guanabara. Os viajantes saídos de Genebra acabaram de pôr o pé em terra. Nessa manhã, numa sala pequena no meio da ilha, cantam o Salmo 5, e o pastor Pierre Richier abre a Bíblia no Salmo 27:
É o primeiro culto reformado de que se tem notícia em solo brasileiro, contado por uma testemunha, Jean de Léry. Daí até o censo de 2022, que registrou 26,9% de evangélicos entre as pessoas de 10 anos ou mais, cerca de 47 milhões,, a história tem muitos começos, cada um com a sua Bíblia. Este livro junta todos: quem chegou, em que língua leu, o que a lei permitiu, o que os adversários disseram e o que os documentos provam. Se você ler só esta página, já sai com o essencial.
Quem chegou. Não foi um movimento só, nem de um só país. Vieram genebrinos, em 1557, para uma colônia francesa apoiada pelo almirante Coligny, e holandeses, entre 1630 e 1654, com uma Igreja Reformada organizada em presbitério e sínodo. Depois, os anglicanos, a partir do Tratado de 1810, e os luteranos de 1824, a quem a lei só permitia culto sem forma exterior de templo. Em seguida, os missionários de língua inglesa do século XIX, como o médico escocês Kalley e o presbiteriano Simonton, que pregaram em português a brasileiros. Também os metodistas, os batistas, o colégio que virou Mackenzie e, já no século XX, a Congregação Cristã e a Assembleia de Deus, trazidas por um italiano e por dois suecos. O livro mostra que "só americanos" não é a resposta.
A Bíblia como fio. João Ferreira de Almeida, um português, traduziu o Novo Testamento e parte do Antigo, e não a Bíblia inteira, como muita gente repete. O Novo Testamento dele foi impresso em Amsterdã em 1681, e o texto de Almeida circulou depois no Brasil em edições de sociedades bíblicas, da de Londres, em 1819, à Sociedade Bíblica do Brasil, fundada em 1948. Entre uma data e outra, houve caixas retidas na alfândega, colportores a cavalo, padres que denunciavam e padres que compravam, escolas onde se aprendia a ler com o catecismo.
O que a lei deixou e tirou. O artigo XII do Tratado de 1810, a Constituição de 1824 (religião do Estado católica, com culto doméstico permitido aos demais), o Código de 1830, a Questão Religiosa de 1872–75 e a separação entre Igreja e Estado em 1890–91: cada capítulo diz o que a lei dizia e o que se podia, de fato, fazer.
Os pentecostais. Em 1910 e 1911, em São Paulo e em Belém, começaram a Congregação Cristã e a Assembleia de Deus. O livro dá a elas o peso que os números pedem, e mostra onde os historiadores discordam: datas, convocações, estimativas de membros. A segunda onda (Quadrangular, O Brasil para Cristo, Deus é Amor) e a terceira (Universal e outras) entram com as palavras de quem as defende e de quem as estuda.
Os números. O livro acompanha os censos de 1872 a 2022 (de 99,7% de católicos a 56,7%, com 26,9% de evangélicos e 9,3% sem religião em 2022, entre as pessoas de 10 anos ou mais), com o aviso de que a pergunta, a base e a forma de classificar mudaram ao longo do caminho. E registra o que as pesquisas dizem da Bíblia hoje: em 2024, 22% da população de 5 anos ou mais leu a Bíblia, por vontade própria, nos três meses anteriores.
Como o livro trata o que é contestado. Cada afirmação sobre uma igreja vem de uma fonte que se pode conferir: historiadores acadêmicos, documentos oficiais das próprias igrejas, atas, jornais e relatos da época, censos do IBGE. Onde elas divergem, o texto mostra as duas versões, e onde não há fonte, o livro não afirma. Maçonaria, perseguições, relações com a Igreja Católica, ecumenismo e teologia da prosperidade aparecem com as palavras de cada lado. Nada aqui julga a fé de ninguém: o que se conta é como o livro chegou às mãos e o que foi feito com ele.
ANTES DE COMEÇARO mapa para não se perder
O livro corre de 1557 aos censos e pesquisas de 2022 e 2024. Antes de entrar nas cenas, fixe estes seis cartões.
Onde
Da baía de Guanabara, em 1557, ao Nordeste holandês, ao Rio e a São Paulo do século XIX, a Belém do Pará em 1911 e ao país inteiro depois.
Quando
De 1557, o culto reformado da Guanabara, até 2022 (o censo) e 2024 (a pesquisa Retratos da Leitura e a Sociedade Bíblica).
Por que importa na Bíblia
O livro acompanha o texto: quem o leu, em que tradução, quem o imprimiu, quem o distribuiu e quem o ensinou. At 8.30
A lei em cada época
O Tratado de 1810, a Constituição de 1824 e a separação de 1890–91 definem o que as igrejas podiam fazer e como a Bíblia podia circular.
Os números, com a base ao lado
1872: 99,7% de católicos. 2022: 56,7% (10 anos ou mais). As bases e as perguntas dos censos mudaram, e cada número vem com o aviso.
Fontes à mostra
Citações em tradução própria, com a referência exata. Onde as fontes divergem, o texto mostra as duas versões.
Leve o livro com você
Baixe O Protestantismo no Brasil — o livro completo, com os 11 capítulos, em PDF — diagramado, com as obras de arte e as 4 camadas de estudo, pronto pra ler offline, imprimir ou usar no preparo do sermão.
🔒 Baixar PDF completo