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Fotografia panorâmica do Rio de Janeiro visto do Morro do Castelo, com telhados, torres de igrejas e a baía ao fundo
RAIO-X BÍBLICO · POVOS E MUNDOS DA BÍBLIA · LIVRO EM 11 CAPÍTULOS

O Protestantismo no Brasil

a Bíblia nas mãos de franceses, holandeses, imigrantes, missionários e brasileiros, do século XVI ao XXI

Em 1557, um pastor abriu a Bíblia no Salmo 27 numa ilhota da baía de Guanabara. No censo de 2022, 26,9% das pessoas de 10 anos ou mais se declararam evangélicas, cerca de 47 milhões. Entre uma data e outra, franceses, holandeses, imigrantes, missionários e brasileiros leram, traduziram e pregaram a Bíblia, com as fontes à mostra.

⏱ 11 capítulos · cerca de 3 horas de leitura · 22 imagens em domínio público · 4 camadas de estudo

SUMÁRIOOnze capítulos, quase cinco séculos

Leia em ordem, como um livro, ou entre pelo que mais lhe interessa. Cada capítulo leva de 9 a 18 minutos e termina com um "Para fixar".

  1. Cap.1 A França Antártica Léry, Villegagnon e a primeira Ceia reformada no Brasil ⏱ 18 minLer capítulo SlMt1Tm1Pe
  2. Cap.2 Recife, 1630 Uma Igreja Reformada com pastores, escolas e catecismos nos tempos dos holandeses ⏱ 17 minLer capítulo Rm
  3. Cap.3 A Bíblia que veio de Batávia João Ferreira de Almeida e a Bíblia em português, antes e depois dele ⏱ 17 minLer capítulo EzAtHb1Jo
  4. Cap.4 Portas estreitas O Tratado de 1810, os anglicanos e os luteranos de 1824 ⏱ 16 minLer capítulo Rm1CoFm
  5. Cap.5 Bíblias a cavalo Kidder, Fletcher e as sociedades bíblicas ⏱ 15 minLer capítulo SlLc2Pe
  6. Cap.6 Dois pioneiros no Rio Kalley, Simonton e o nascimento das igrejas em português ⏱ 16 minLer capítulo MtLc
  7. Cap.7 Metodistas, batistas e o quadro-negro Escolas, hinos e igrejas do interior de São Paulo à Bahia ⏱ 13 minLer capítulo MtLcAtGl
  8. Cap.8 Padres, maçons e a Constituição A Questão Religiosa e a separação entre Igreja e Estado, de 1824 a 1891 ⏱ 16 minLer capítulo MtAtRm
  9. Cap.9 Chicago, Belém e São Paulo O pentecostalismo chega em 1910: Congregação Cristã e Assembleia de Deus ⏱ 18 minLer capítulo GnAt1Co2Co
  10. Cap.10 O Espírito pelo Brasil A Assembleia de Deus cresce e as novas ondas dos anos 1950 e 1960 ⏱ 14 minLer capítulo LvSlAt
  11. Cap.11 Os números e a Bíblia hoje Neopentecostais, censos e a Bíblia em português no século XXI ⏱ 18 minLer capítulo MlAtRm
Começar pelo Capítulo 1
Capítulo 1 · A França Antártica · 18 min de leitura
Ficha do período — o protestantismo no Brasil
Período na história
De 1557 (primeiro culto reformado na baía de Guanabara) a 2022 e 2024 (censo e pesquisas sobre a Bíblia)
Território
O Brasil: da baía de Guanabara e do Nordeste holandês ao Rio, a São Paulo, ao Pará e ao interior
Cidades-chave
Rio de Janeiro, Recife, Salvador, São Paulo, Belém, Natal e Petrópolis
Línguas e escrita
Português, francês, holandês, alemão, inglês, sueco e italiano; a Bíblia em português chega pela Almeida (1681) e pela edição de Figueiredo, entre outras
Igrejas que aparecem
Reformadas e presbiterianas, anglicana, luterana, metodista, batista, Congregação Cristã, Assembleia de Deus e as demais pentecostais, além da Igreja Católica, parte da história em cada capítulo
Personagens que mais aparecem
Jean de Léry, João Ferreira de Almeida, Daniel Kidder, Robert Kalley, Ashbel Simonton, Gunnar Vingren, Daniel Berg e Louis Francescon
Primeira e última menção
1557 (Salmo 27, na Guanabara) · 2022 e 2024 (censo, Retratos da Leitura e Sociedade Bíblica)
O que deixaram
A Bíblia em português impressa e distribuída, escolas, hinos e revistas bíblicas, a Sociedade Bíblica do Brasil e um país em que, em 2022, 26,9% das pessoas de 10 anos ou mais se declaram evangélicos

Como ler este livro — as 4 camadas

🔎 A palavra original — o hebraico, o grego — e o que se sabe das palavras que as igrejas leram e discutiram.
👁️ Como era viver ali — o cotidiano: comida, casa, trabalho, medo, culto, família.
🏺 O que os arquivos guardam — documentos, atas, jornais e relatos de época (o que vem de tradição e lenda aparece com 📜, na mesma cor). Sempre diz o que a fonte prova — e o que não prova.
🌱 Semente de sermão — um gancho que já nasce pregação pronta.

SOBRE ESTE LIVROO protestantismo no Brasil, em poucos minutos

Quarta-feira, 10 de março de 1557, numa ilhota da baía de Guanabara. Os viajantes saídos de Genebra acabaram de pôr o pé em terra. Nessa manhã, numa sala pequena no meio da ilha, cantam o Salmo 5, e o pastor Pierre Richier abre a Bíblia no Salmo 27:

"Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo." Salmos 27.4

É o primeiro culto reformado de que se tem notícia em solo brasileiro, contado por uma testemunha, Jean de Léry. Daí até o censo de 2022, que registrou 26,9% de evangélicos entre as pessoas de 10 anos ou mais, cerca de 47 milhões,, a história tem muitos começos, cada um com a sua Bíblia. Este livro junta todos: quem chegou, em que língua leu, o que a lei permitiu, o que os adversários disseram e o que os documentos provam. Se você ler só esta página, já sai com o essencial.

Quem chegou. Não foi um movimento só, nem de um só país. Vieram genebrinos, em 1557, para uma colônia francesa apoiada pelo almirante Coligny, e holandeses, entre 1630 e 1654, com uma Igreja Reformada organizada em presbitério e sínodo. Depois, os anglicanos, a partir do Tratado de 1810, e os luteranos de 1824, a quem a lei só permitia culto sem forma exterior de templo. Em seguida, os missionários de língua inglesa do século XIX, como o médico escocês Kalley e o presbiteriano Simonton, que pregaram em português a brasileiros. Também os metodistas, os batistas, o colégio que virou Mackenzie e, já no século XX, a Congregação Cristã e a Assembleia de Deus, trazidas por um italiano e por dois suecos. O livro mostra que "só americanos" não é a resposta.

A Bíblia como fio. João Ferreira de Almeida, um português, traduziu o Novo Testamento e parte do Antigo, e não a Bíblia inteira, como muita gente repete. O Novo Testamento dele foi impresso em Amsterdã em 1681, e o texto de Almeida circulou depois no Brasil em edições de sociedades bíblicas, da de Londres, em 1819, à Sociedade Bíblica do Brasil, fundada em 1948. Entre uma data e outra, houve caixas retidas na alfândega, colportores a cavalo, padres que denunciavam e padres que compravam, escolas onde se aprendia a ler com o catecismo.

O que a lei deixou e tirou. O artigo XII do Tratado de 1810, a Constituição de 1824 (religião do Estado católica, com culto doméstico permitido aos demais), o Código de 1830, a Questão Religiosa de 1872–75 e a separação entre Igreja e Estado em 1890–91: cada capítulo diz o que a lei dizia e o que se podia, de fato, fazer.

Os pentecostais. Em 1910 e 1911, em São Paulo e em Belém, começaram a Congregação Cristã e a Assembleia de Deus. O livro dá a elas o peso que os números pedem, e mostra onde os historiadores discordam: datas, convocações, estimativas de membros. A segunda onda (Quadrangular, O Brasil para Cristo, Deus é Amor) e a terceira (Universal e outras) entram com as palavras de quem as defende e de quem as estuda.

Os números. O livro acompanha os censos de 1872 a 2022 (de 99,7% de católicos a 56,7%, com 26,9% de evangélicos e 9,3% sem religião em 2022, entre as pessoas de 10 anos ou mais), com o aviso de que a pergunta, a base e a forma de classificar mudaram ao longo do caminho. E registra o que as pesquisas dizem da Bíblia hoje: em 2024, 22% da população de 5 anos ou mais leu a Bíblia, por vontade própria, nos três meses anteriores.

Como o livro trata o que é contestado. Cada afirmação sobre uma igreja vem de uma fonte que se pode conferir: historiadores acadêmicos, documentos oficiais das próprias igrejas, atas, jornais e relatos da época, censos do IBGE. Onde elas divergem, o texto mostra as duas versões, e onde não há fonte, o livro não afirma. Maçonaria, perseguições, relações com a Igreja Católica, ecumenismo e teologia da prosperidade aparecem com as palavras de cada lado. Nada aqui julga a fé de ninguém: o que se conta é como o livro chegou às mãos e o que foi feito com ele.

ANTES DE COMEÇARO mapa para não se perder

O livro corre de 1557 aos censos e pesquisas de 2022 e 2024. Antes de entrar nas cenas, fixe estes seis cartões.

🌊

Onde

Da baía de Guanabara, em 1557, ao Nordeste holandês, ao Rio e a São Paulo do século XIX, a Belém do Pará em 1911 e ao país inteiro depois.

⏳

Quando

De 1557, o culto reformado da Guanabara, até 2022 (o censo) e 2024 (a pesquisa Retratos da Leitura e a Sociedade Bíblica).

📖

Por que importa na Bíblia

O livro acompanha o texto: quem o leu, em que tradução, quem o imprimiu, quem o distribuiu e quem o ensinou. At 8.30

⚖️

A lei em cada época

O Tratado de 1810, a Constituição de 1824 e a separação de 1890–91 definem o que as igrejas podiam fazer e como a Bíblia podia circular.

📊

Os números, com a base ao lado

1872: 99,7% de católicos. 2022: 56,7% (10 anos ou mais). As bases e as perguntas dos censos mudaram, e cada número vem com o aviso.

🔎

Fontes à mostra

Citações em tradução própria, com a referência exata. Onde as fontes divergem, o texto mostra as duas versões.

Leve o livro com você

Baixe O Protestantismo no Brasil — o livro completo, com os 11 capítulos, em PDF — diagramado, com as obras de arte e as 4 camadas de estudo, pronto pra ler offline, imprimir ou usar no preparo do sermão.

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Capítulo 1 · A França Antártica · 18 min de leitura