Os PersasCapítulo 2 de 11 ⤓ PDF
As tumbas reais cavadas na rocha em Naqsh-e Rustam; litografia de Eugène Flandin
CAPÍTULO 2 DE 11

No que acreditavam

O deus sábio, o fogo e os magos

Um rei persa manda pagar do próprio tesouro os sacrifícios do templo de outro povo, e pede que orem por ele. Para entender essa carta, é preciso saber no que os persas acreditavam, e o que se sabe, e não se sabe, sobre Zoroastro.

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Tatenai, governador "dalém do rio", tem diante de si a carta do rei. Ele veio a Jerusalém para fiscalizar uma obra e perguntar quem a autorizou. Agora ouve, escrita por um rei que reina a muitas semanas de viagem dali, uma ordem que o obriga a ajudar a obra que veio investigar: "Para que ofereçam sacrifícios de cheiro suave ao Deus dos céus, e orem pela vida do rei e de seus filhos" Ed 6.10.

Um rei persa mandando pagar, do tesouro dele, os bezerros e o azeite do templo de outro povo, e pedindo orações em troca. Para entender uma cena assim, é preciso saber no que os persas acreditavam. Este capítulo percorre o rei e o seu deus, os magos e o fogo, os outros deuses da corte e o jeito como a Bíblia fala de Deus nesse mundo. No fim, um debate honesto: o que a Pérsia deixou, ou não deixou, na fé de Israel.

01 — O REI"Pela graça de Aúra-Masda eu sou rei"

No Egito o rei era um deus vivo. Na Pérsia, não. O Grande Rei era um homem que recebera o trono de um deus, e dizia isso com todas as letras. A inscrição de Behistun, que Dario mandou gravar na rocha, repete a fórmula como um refrão: "Dario, o rei, diz: pela graça de Aúra-Masda eu sou rei; Aúra-Masda me concedeu o reino" (Behistun, §5, tradução minha). E em Naqsh-e Rustam, na fachada do seu túmulo, ele abre o texto com um credo curto: "Um grande deus é Aúra-Masda, que criou esta terra, que criou aquele céu, que criou o homem, que criou a felicidade do homem, que fez Dario rei" (Dario, inscrição DNa, tradução minha a partir da versão inglesa).

"Aúra-Masda" é a forma portuguesa mais comum do nome que a ciência escreve Ahuramazda. Quer dizer, mais ou menos, o "Senhor Sábio". É o deus principal das inscrições reais persas, o que cria, o que dá o trono e o que ajuda o rei na guerra. Note a diferença de tom com o Egito: o rei persa não diz que é deus. Diz que um deus o escolheu. E, em Behistun, ele afirma que Aúra-Masda o ajudou "e os outros deuses, todos os que há" (§63), o que mostra que o seu deus supremo convivia com muitos outros.

Isso explica o título que aparece nos decretos de Esdras: "Artaxerxes, rei dos reis" Ed 7.12. Não é um título só persa: a Bíblia o dá também a Nabucodonosor Ez 26.7, e Daniel o repete para ele Dn 2.37. Mas, na Pérsia, ele tem um sentido concreto: o rei dos reis recebe os príncipes das províncias, e a corte inteira sabe que o lugar dele vem do alto.

Uma curiosidade da corte, que Heródoto registra: quando duas pessoas se encontram, a de posição muito inferior "se prostra" diante da outra (Histórias I, 134). Os gregos estranhavam isso e o liam como adoração. Muitos historiadores acham que, para os persas, era etiqueta de hierarquia, e não culto. Vale guardar o detalhe para o Capítulo 7, quando Mardoqueu se recusa a fazer o mesmo diante de Hamã.

🔎 A palavra original

Nos decretos persas de Esdras, o "Deus do céu" é, em aramaico, ʼĕlāh šᵉmayyāʼ (אֱלָהּ שְׁמַיָּא), como na frase "escriba da lei do Deus do céu" de Esdras 7.12. A expressão não é exclusiva desse período. Aparece antes, em Gênesis 24.7 ("o SENHOR Deus dos céus"), em Jonas 1.9 e em Salmos 136.26. Mas ela se concentra de um jeito notável nos textos do tempo persa: na boca do próprio Ciro Ed 1.2, nas cartas de Esdras, na oração de Neemias Ne 1.4-5 e nas visões de Daniel Dn 2.18-19. Os estudiosos propõem leituras diferentes: alguns acham que era um jeito de falar de Deus que os persas entendiam bem, porque o deus supremo deles também era criador do céu; outros veem só um modo judeu de falar de Deus que ganhou força na época. A mesma expressão aparece nos papiros judaicos de Elefantina, no Egito (Capítulo 9).

02 — O DEUS SÁBIOAúra-Masda, a Mentira e o profeta que ninguém data

O culto a Aúra-Masda é, segundo a tradição persa, anterior ao império e foi proclamado por um profeta chamado Zoroastro (Zaratustra, em persa). Aqui vem o primeiro aviso: não se sabe quando ele viveu. A tradição zoroastriana posterior o põe a uns 258 anos antes de Alexandre, ou seja, no séc. VI a.C., contemporâneo dos primeiros reis persas. Muitos especialistas modernos, estudando a língua dos hinos atribuídos a ele, os Gathas, os datam de muito antes, entre c. 1500 e 1000 a.C. Não há consenso, e nenhuma inscrição real persa cita o nome de Zoroastro.

O segundo aviso é sobre os textos. O Avesta, o livro sagrado dessa religião, só foi fixado por escrito muitos séculos depois do império persa, só entre os séculos V e VI d.C., já na época sassânida, embora guarde material bem mais antigo, como os Gathas. Por isso, quando alguém diz "os persas acreditavam que...", boa parte das vezes está misturando duas coisas: o que os reis disseram nas suas inscrições, que é antigo e seguro, e o que o Avesta diz, que é difícil de datar.

O que as inscrições de Dario deixam ver é uma moral curiosa. Ele fala o tempo todo da Mentira. Quando Cambises partiu para o Egito, conta ele em Behistun, "a mentira se multiplicou na terra" (§10, tradução minha). No fim da inscrição, ele resume que Aúra-Masda o ajudou "porque eu não fui mau, nem mentiroso, nem tirano" (§63-64). Isso conversa com o que Heródoto diz do ensino dos meninos persas: montar, atirar e dizer a verdade (Capítulo 1). Entre os persas, verdade e mentira eram mais do que moral: eram os dois lados de uma disputa maior.

Tudo isso levanta a pergunta que divide os especialistas: os reis aquemênidas eram zoroastrianos? Há três respostas.

Uma diz que sim. O uso de Aúra-Masda como criador de céu e terra, o horror de Dario à Mentira e a inscrição de Xerxes contra os "daivas" (adiante) soam como a doutrina que os Gathas descrevem. Outra diz que não: nenhuma inscrição cita Zoroastro, e o mesmo Dario fala dos "outros deuses". Uma terceira, mais recente, tenta sair desse "sim ou não". Ela estuda o que os arquivos de Persépolis mostram, isto é, o que a administração de fato pagava para sacrifícios, e conclui que a religião da corte era uma mistura de tradições iranianas e elamitas, em que Aúra-Masda ocupa um lugar de honra sem ser o único. A resposta honesta é: é debatido, e quem afirmar o contrário está escolhendo um lado.

🏺 O que a pá encontrou

Três achados sobre a fé dos reis. (1) Behistun: acima de Dario e dos rebeldes presos paira uma figura alada dentro de um disco. Muitos a leem como Aúra-Masda, mas há estudiosos que duvidam de que o símbolo represente o próprio deus. Ela aparece também em Persépolis e nas tumbas reais. (2) Naqsh-e Rustam: em quatro tumbas reais cavadas na rocha, a fachada mostra o rei diante de um altar de fogo, sob o disco alado; a de Dario traz o credo citado acima. Segundo a identificação mais aceita, as outras são de Xerxes, Artaxerxes I e Dario II, mas isso é, em parte, especulação. (3) As tabuinhas de Persépolis: são milhares de textos administrativos em elamita, do tempo de Dario (c. 509–493 a.C.), que registram rações de cevada, vinho e frutas entregues para sacrifícios. Os pesquisadores encontram ali ofertas a Aúra-Masda, mas também a divindades elamitas, como Humban.

⚠️ Nada disso prova que os reis fossem, ou não fossem, "zoroastrianos" no sentido de hoje. Prova que o culto real incluía Aúra-Masda como deus supremo, fogo, magos e uma convivência com outros deuses. O resto é leitura.

Fachada de uma tumba real em Naqsh-e Rustam: o rei diante do altar de fogo, sob o disco alado; litografia de Eugène Flandin
Fachada de uma das tumbas reais de Naqsh-e Rustam — Eugène Flandin, Voyage en Perse (1851); exemplar da New York Public Library. No alto, o rei de pé diante de um altar de fogo, sob o disco alado; embaixo, figuras que sustentam a plataforma do rei (costumam ser lidas como os povos do império). A gravura não diz de qual rei é a tumba. Domínio público.

03 — OS MAGOS E O FOGOSacerdotes sem templo (ou quase)

Heródoto descreve a religião persa pelo avesso do que um grego esperava: "Não consideram lícito erguer imagens, templos e altares". Oferecem sacrifícios no alto das montanhas, chamando de Zeus o círculo inteiro do céu. Sacrificam ao sol, à lua, à terra, ao fogo, à água e aos ventos, e quem sacrifica reza "pelo rei e por todos os persas" (Histórias I, 131-132, tradução minha). Repare no último detalhe: rezar pelo rei é parte do rito. Isso explica a frase de Dario em Esdras 6.10, que abriu este capítulo. O rei pagava os sacrifícios do templo judeu como faria com os de qualquer culto do império, e pedia a oração de sempre. (Heródoto diz também que eles não acendem fogo no sacrifício, o que não combina com os altares de fogo das tumbas. As fontes nem sempre concordam, e a descrição de um estrangeiro precisa ser lida com cuidado.)

Quem presidia o sacrifício era um mago (em persa antigo, maguš). Heródoto diz que um mago precisava estar presente para o sacrifício valer (I, 132) e que os magos eram uma tribo meda (I, 101). Nas tabuinhas de Persépolis eles aparecem recebendo as rações do sacrifício chamado lan e, segundo o historiador Jona Lendering, as próprias tabuinhas os chamam também de "acendedores de fogo". Eram especialistas em ritual e em tradição oral, numa comparação comum, algo como os levitas em Israel. A palavra "mágica" vem deles, mas por mal-entendido dos gregos: Aristóteles já tinha de lembrar que os magos não conheciam nem praticavam feitiçaria. O Capítulo 11 volta a eles, por causa do Natal.

Um dado político curioso: Dario conta, em Behistun, que o usurpador que ele derrubou era um mago, o "Gaumata, o mago", e que, ao vencê-lo, "os templos que Gaumata, o mago, destruíra, eu os restaurei ao povo" (§14). Ou seja: o próprio Dario diz que restaurou santuários. É uma pista de como o rei queria ser visto diante do culto dos povos, e o Capítulo 3 mostra Ciro agindo do mesmo modo.

E os mortos? Heródoto sabe que os magos expunham o corpo a aves e cães antes de enterrar, e que os persas comuns cobriam o corpo de cera e o enterravam (I, 140). Os reis eram sepultados em tumbas, como a de Ciro, em Pasárgada, e as cavadas na rocha de Naqsh-e Rustam. Sobre o que os persas dessa época pensavam do além, quase não temos texto. Quem fala com muita segurança de "o céu e o inferno persa" no tempo de Esdras está indo além das fontes.

👁️ Como era viver ali

Para um camponês persa, a religião era menos teoria e mais cuidado com o que não se devia sujar. Heródoto conta que não se urinava nem se cuspia num rio, nem se lavavam as mãos nele, "mas reverenciam muito os rios" (I, 138). Estrabão, séculos depois, descreve magos da Capadócia que cobrem os lábios diante do fogo sagrado, provavelmente, dizem os historiadores, para que o hálito não o suje. Não temos como saber quanto disso o camponês entendia como doutrina e quanto era simplesmente costume de casa. Mas dá para imaginar que a água de um rio, o fogo da cozinha e o dia do aniversário fossem, na vida dele, os lugares onde o sagrado aparecia.

04 — OUTROS DEUSESA corte persa e o seu panteão

Por baixo da fórmula "pela graça de Aúra-Masda" havia um mundo mais cheio. Uma inscrição do rei Artaxerxes II, em Susa, diz: "Pela graça de Aúra-Masda, Anahita e Mitra, construí este palácio. Que Aúra-Masda, Anahita e Mitra me protejam de todo mal" (A2Sa, tradução minha a partir da versão inglesa). Anahita e Mitra são divindades que o Avesta louva em hinos próprios, os Yashts, e aí estão, ao lado de Aúra-Masda, num texto real do séc. IV a.C.

Em outro lugar, o rei Xerxes escreveu uma inscrição que deixa os historiadores intrigados: a chamada inscrição dos daivas. Nela, ele conta que, entre os países que governava, havia um onde antes se adoravam os daivas, uma palavra que clara e geralmente significa "demônios". "Então, pela graça de Aúra-Masda, destruí aquele santuário de daivas, e proclamei: os daivas não serão adorados! Onde antes se adoravam os daivas, ali adorei Aúra-Masda no tempo certo e do modo certo" (XPh, tradução minha a partir da versão inglesa). Qual era o lugar? Ninguém sabe: pode ser no Irã, na Babilônia ou no Egito, onde houve rebeliões no começo do reinado dele. E se Xerxes fala de uma destruição religiosa real ou de uma frase de propaganda real é outro ponto em aberto. O que a inscrição mostra, com certeza, é que o rei se via como defensor da ordem de Aúra-Masda.

Compare isso com o que a Bíblia diz da política persa em Esdras: o rei manda devolver utensílios do templo e pagar sacrifícios, em vez de destruir culto algum. Os dois quadros convivem. A corte podia proclamar-se defensora de Aúra-Masda e, ao mesmo tempo, apoiar os cultos locais de quem pagava tributo e orava pelo rei. A pergunta sobre a "tolerância persa" é outra em que convém ir devagar: os textos reais dizem uma coisa, a prática pode ter variado de lugar para lugar e de rei para rei.

05 — A BÍBLIA NO MEIO DISSOO que Isaías diz a quem não o conhece

No Egito, a Bíblia entra em choque aberto com os deuses ("em todos os deuses do Egito farei juízos"). Na Pérsia, o tom muda. Nos textos sobre Ciro e Dario, a Bíblia não faz polêmica contra os deuses persas. O que ela diz é que esse rei não conhece Deus, e que Deus o usa assim mesmo. Quem diz isso com mais força é Isaías, falando a Ciro:

"Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças; Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas." Isaías 45.5-7

Há quem leia o verso 7, "eu formo a luz, e crio as trevas", como uma resposta a uma religião de dois princípios, um da luz e outro das trevas. É uma leitura que aparece em comentários, mas é hipótese: o texto não cita nenhum deus persa, e o dualismo que ela teria em vista é justamente o que não podemos datar com segurança. O que o texto afirma com todas as letras é outra coisa: o Deus de Israel é o único, e ele age até sobre quem o ignora. Ciro é chamado de "ungido" Is 45.1, e por isso o próximo capítulo é dele.

O outro lado da conversa é o dos persas lendo os papéis dos judeus. Quando Esdras 6 conta que o rei Dario mandou buscar o decreto de Ciro nos arquivos Ed 6.1-2, mostra um império de documentos: o que os judeus afirmaram foi conferido, achado e confirmado.

🔎 A palavra original

Em Isaías 45.7, o verbo de "eu formo a luz" é yāṣar (יָצַר), "modelar", da mesma raiz que dá a palavra "oleiro". "Crio as trevas" usa bārāʼ (בָּרָא), o verbo "criar" de Gênesis 1.1. O poeta põe lado a lado dois pares de opostos, luz e trevas, paz e raʿ (רָע). Esta última palavra é a mesma que se traduz por "mal", mas também pode significar "desgraça" ou "calamidade", e muitas traduções modernas preferem "calamidade" porque o contraste do verso é com "paz". A ACF mantém "mal".

🌱 Semente de sermão

Um rei que não conhecia o Deus de Israel mandou orar por ele. E Paulo, séculos depois, pediria a mesma coisa à igreja: "deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência" 1Tm 2.1-2. Antes disso, Jeremias já mandara os exilados orarem pela cidade que os prendera Jr 29.7. Orar pelas autoridades não é aprovar tudo o que elas fazem; é reconhecer que a paz de quem manda também alcança quem obedece.

06 — UM DEBATEO que a Pérsia deixou na fé de Israel?

Aqui é preciso cuidado, porque é um assunto sobre o qual cristãos, judeus e pesquisadores têm opiniões fortes. Na época persa e logo depois, a literatura bíblica fala mais de anjos com nome e tarefa (como em Daniel e Zacarias), de um adversário que aparece como figura em cena ("Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor", Zc 3.1; "Satanás se levantou contra Israel", 1Cr 21.1) e da ressurreição ("muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão", Dn 12.2). Alguns estudiosos notam semelhanças com ideias presentes também na religião iraniana.

R. C. Zaehner e Mary Boyce, por exemplo, defenderam que o contato com a Pérsia deixou marcas na fé judaica posterior. Outros respondem com três cautelas. Primeira: as ideias podem ter nascido dentro de Israel, a partir do próprio texto bíblico. Segunda: os textos persas que falam de juízo final e ressurreição são, no estado em que os temos, difíceis de datar, e podem ser mais tardios que o contato com os judeus. Terceira: semelhança não é prova de empréstimo. O pesquisador Shaul Shaked, por exemplo, argumentou em 1994 que o que chamamos de "ortodoxia" zoroastriana foi definido só bem mais tarde. Leitores de fé, por sua vez, costumam ler esses temas como revelação que cresce dentro da própria Escritura. A Bíblia nunca diz "aprendemos isso dos persas".

⚠️ É um debate aberto entre historiadores, e a fé de cada leitor não depende da resposta. Para quem crê que a Escritura é inspirada, a origem histórica de uma ideia não decide se ela é verdadeira. Para o historiador, a direção do empréstimo, se houve, não está provada. O que é consenso: judeus e persas conviveram por mais de dois séculos. O que é hipótese: que ideias específicas (anjos, adversário, ressurreição) tenham vindo de lá.

PARA FIXARO que ficou do capítulo

👑

Rei por graça, não deus

"Pela graça de Aúra-Masda eu sou rei." Diferente do Faraó, o Grande Rei diz que recebeu o trono de um deus.

❓

O profeta sem data

Zoroastro não é citado nas inscrições reais, e as datas propostas vão de c. 1500 a.C. a c. 600 a.C. O Avesta foi posto por escrito só entre os séculos V e VI d.C.

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Magos e fogo

Magos presidem sacrifícios e rezam pelo rei, como no decreto de Esdras 6.10. Persépolis mostra também ofertas a deuses elamitas.

💡

Um debate aberto

Se a Pérsia influenciou a fé judaica posterior é pergunta de historiadores: há quem afirme e quem peça cautela. A Bíblia não afirma isso.

Próximo capítulo: Ciro, o rei que a Bíblia chama de "ungido" e "pastor", o que diz o Cilindro de Ciro, e o que ele prova e não prova.

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