A Europa da ReformaCapítulo 11 de 11 ⤓ PDF
Pintura de uma praça de Paris com soldados armados, corpos pelo chão, uma ponte à esquerda e uma casa de esquina à direita de cuja janela um corpo é jogado
CAPÍTULO 11 DE 11

Guerras, sola scriptura e o português

Os frutos e os problemas, 1648 e a ponte para Almeida

Em Paris, em 1572, cristãos matam cristãos na noite de 23 para 24 de agosto. O último capítulo olha para as guerras, para a pergunta que elas deixaram (quem decide o que a Bíblia diz?) e para o que se sabe, de fato, sobre escola e leitura.

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Paris, noite de 23 para 24 de agosto de 1572. Seis dias antes, em 18 de agosto, Margarida de Valois, irmã do rei da França, se casara com Henrique de Navarra, que era protestante. Dois dias antes, tinham atirado no almirante Gaspard de Coligny, o principal chefe protestante. Naquela noite começaram as mortes. Uma pintura de François Dubois, feita entre 1572 e 1584 e guardada em Lausanne, mostra a cidade como cenário: ruas, uma ponte, cadáveres, gente armada.

Foi um século em que cristãos mataram cristãos, em boa parte por disputas sobre o modo de ler o mesmo livro. Este último capítulo fecha o livro olhando para três coisas: as guerras, a pergunta que elas deixaram (quem decide o que a Bíblia diz, se todos apelam a ela) e o que se sabe, de fato, sobre alfabetização e Bíblia. Termina na ponte que leva até o português.

01 — DE AUGSBURGO A PARISQuem manda, a religião é dele?

A guerra aberta entre príncipes protestantes e o imperador Carlos V veio logo depois de Lutero: a chamada Guerra de Esmalcalda, em 1546–47. A solução, anos depois, foi a Paz de Augsburgo, de 25 de setembro de 1555. Ela reconheceu, dentro do Império, duas confissões: a católica e a luterana. Cada príncipe escolhia a religião de seu território, e a fórmula latina que resume isso, cuius regio, eius religio ("de quem é o território, dele a religião"), ficou famosa. Quem discordasse tinha o direito de emigrar. Os servos, em geral, ficavam de fora desse direito. E os calvinistas não eram reconhecidos: só o seriam em 1648.

Na França o conflito foi outro. Havia uma minoria protestante, os huguenotes, e um rei católico. Entre 1562 e 1598, sucederam-se guerras civis, e a noite de 23 para 24 de agosto de 1572, conhecida como o Massacre de São Bartolomeu, é o episódio mais lembrado. Quanto ao que se sabe: as mortes começaram em Paris naquela noite e se espalharam por cerca de uma dúzia de outras cidades. As estimativas de mortos vão de uns 5 mil a 30 mil e nunca foram contadas direito. O único número duro de Paris é o de um pagamento pelo enterro de 1.100 corpos em uma semana. De quem foi a responsabilidade, os historiadores ainda discutem. O papa Gregório XIII mandou celebrar um Te Deum e mandou cunhar uma medalha. Os dois fatos estão registrados, e cada lado os lê à sua maneira.

O fim da série francesa veio com o Edito de Nantes, de 1598, que deu aos protestantes direitos e lugares de culto. Foi revogado em 1685. Depois da revogação, como vimos no Capítulo 10, distribuíram-se exemplares do Novo Testamento católico aos "recém-convertidos".

👁️ Como era viver ali

Para a maioria das pessoas, a confissão não era uma escolha. Num território luterano, o culto era luterano, e quem queria outro tinha de mudar de casa, de ofício e de cidade. A Bíblia entrava na vida de cada um pelo templo que o governante permitia: o sermão, o catecismo, o canto. O próprio leitor que, como vimos, podia agora abrir a Escritura em sua língua, abria-a dentro de limites que o príncipe e o pastor traçavam.

02 — 1618 A 1648A última grande guerra e a paz que reconheceu três confissões

A Guerra dos Trinta Anos começou em 23 de maio de 1618 e terminou em 24 de outubro de 1648, com a assinatura da Paz de Vestfália em Osnabrück e em Münster. Os números são enormes e variam: entre 4,5 e 8 milhões de mortos, por combate, fome e doença, segundo as estimativas mais citadas. Os mortos em combate seriam de 1,3 a 1,8 milhão. Em partes da Alemanha, a população caiu mais de 50%.

Pintura de um salão com delegados em pé e sentados em volta de uma mesa, com a mão levantada para jurar
O juramento da paz entre a Espanha e as Províncias Unidas — Münster, 15 de maio de 1648. Pintura de Gerard ter Borch, o Jovem (assinada e datada de 1648), óleo sobre cobre; Rijksmuseum, Amsterdã (SK-C-1683), em empréstimo da National Gallery, Londres. Retrata a ratificação do tratado entre a Espanha e as Províncias Unidas, parte do conjunto de acordos de 1648. Domínio público.

Foi uma guerra de religião? A resposta honesta é que sim, em parte. A religião foi uma causa importante: a divisão entre católicos, luteranos e calvinistas atravessava o Império. Mas fatores externos moldaram a extensão do conflito: a rivalidade entre a França e os Habsburgos, e a revolta dos holandeses. Uma frase como "foi tudo por causa da Bíblia" é simples demais. A de que "religião era só pretexto" também.

O que a paz decidiu: reconheceu a religião católica, a luterana e a calvinista, tomou o ano de 1624 (1.º de janeiro) como ano normal para saber qual confissão cabia a cada território e tirou do soberano o controle sobre o exercício privado da religião de seus súditos. O papa Inocêncio X rejeitou o acordo no breve Zelo Domus Dei.

"Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão." Mateus 26.52
"Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui." João 18.36
📜 Posições em debate

Para muitos reformadores, a autoridade civil era ordenada por Deus (Rm 13.1) e tinha o dever de proteger a verdadeira religião, e por isso a espada do príncipe entrava no debate. Para os anabatistas, como vimos no Capítulo 7, textos como os de Mateus 26 e João 18 mostravam o contrário: o reino de Cristo não se defende com armas. Para os católicos, como Trento (Capítulo 10), cabia à Igreja definir a fé, e o poder civil devia servi-la. As três posições citam a Escritura e chegam a conclusões incompatíveis. Este é o problema que o próximo trecho examina.

⚠️ Não há um lado inocente na lista de violências deste século. Os protestantes mataram e foram mortos (Capítulos 6, 7 e 8). Os católicos também (a noite de 1572, a Inquisição, a revogação de 1685). Cada lado tem suas luzes, e cada um tem suas sombras.

03 — SÓ A ESCRITURA?Três vozes sobre quem tem a última palavra

A pergunta que corre desde o Capítulo 3 é: se todos apelam à Bíblia e discordam, quem decide? O século XVI deu três respostas que ainda existem. Vale ouvir cada uma nas próprias palavras, e não nas de seus adversários.

A resposta luterana está na Fórmula de Concórdia (1577), no Epítome da "Regra e Norma". O texto diz que as Escrituras proféticas e apostólicas dos dois Testamentos, "somente", são "a única regra e padrão" pelos quais todos os ensinos e mestres devem ser avaliados. Os escritos de outros mestres, antigos ou modernos, "não devem ser tidos como iguais à Sagrada Escritura" e valem só "como testemunhas". Os três credos antigos e a Confissão de Augsburgo (1530) aparecem como a forma em que os luteranos declaram sua fé, e não como juízes: só a Escritura permanece "o único juiz, regra e padrão" (tradução minha, da versão inglesa).

A resposta reformada está na Confissão de Westminster, elaborada na década de 1640. No capítulo 1, ela diz que a autoridade da Escritura "não depende do testemunho de nenhum homem ou igreja, mas totalmente de Deus" (1.4); que a "regra infalível de interpretação da Escritura é a própria Escritura" (1.9); e que o juiz supremo, a quem se apela em todas as controvérsias, "não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura" (1.10). E reconhece, no 1.7, que nem tudo na Bíblia é igualmente claro, mas que o que é necessário para a salvação está tão claramente exposto que mesmo os não instruídos podem chegar a entendê-lo suficientemente (tradução minha, da versão inglesa).

A resposta católica tem duas fontes. Trento (1546, Capítulo 10) manda que ninguém interprete a Escritura "contra o sentido que a santa madre Igreja" sustentou. O Concílio Vaticano II, na Dei Verbum (1965), n. 9, diz que "não é só da Sagrada Escritura que a Igreja tira sua certeza" sobre tudo o que foi revelado. E, no n. 10, que a tarefa de interpretar com autoridade a palavra de Deus foi confiada "exclusivamente ao magistério vivo da Igreja", o qual, porém, "não está acima da palavra de Deus, mas a serve" (tradução minha, da versão inglesa).

"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra." 2 Timóteo 3.16-17
"Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição." 2 Pedro 3.16

Os dois textos aparecem em todos os lados desse debate. O primeiro, nas mãos de quem defende a suficiência da Escritura. O segundo, nas de quem defende que alguém precisa guiar a leitura. Cada tradição reconhece os dois, e o que muda é o peso. Atos 17.11 conta que os de Beréia receberam a palavra "examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim", texto que costuma ser lembrado como retrato de um leitor atento. Eles examinavam, porém, o que Paulo, um mestre, lhes anunciava.

🔎 A palavra original

"Heresia" vem do grego haíresis (αἵρεσις), que o dicionário de Strong, de 1890, define como "propriamente, uma escolha, isto é, (em especial) um partido ou (em abstrato) uma divisão". Aparece em Atos 24.14, na boca de Paulo, que diz que o "caminho" cristão é chamado de "seita" pelos acusadores, e em 1 Coríntios 11.19: "importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós". A palavra mudou de sentido ao longo do tempo: de "escolha" e "partido" para "doutrina condenada". No século XVI, cada lado chamava de heresia o que o outro ensinava.

O problema que cada voz reconhece no outro é real. Aos católicos, os reformadores respondem que a Igreja que se julga intérprete final pode errar e se colocar acima do texto. Aos protestantes, os católicos respondem que a Escritura sozinha não impediu que Lutero e Zuínglio, que liam o mesmo grego, chegassem a conclusões diferentes em Marburgo (Capítulo 5), nem que os anabatistas chegassem a outras (Capítulo 7), nem que, depois, os reformados da Holanda se dividissem.

Foi o que aconteceu em Dort. O Sínodo de Dordrecht, de 13 de novembro de 1618 a 9 de maio de 1619, reuniu holandeses e delegados de igrejas reformadas estrangeiras, entre elas as da Escócia, da Suíça e de partes da Alemanha, mais delegados anglicanos. Rejeitou o ensino dos remonstrantes, os seguidores de Armínio, que em 1610 tinham formulado seus cinco artigos (entre eles, eleição condicional, expiação ilimitada, graça resistível e a possibilidade de cair da graça). As decisões do sínodo são conhecidas como os Cânones de Dort. Os remonstrantes foram expulsos do sínodo em 14 de janeiro de 1619 e, depois, barrados do ministério; em julho de 1619, os que recusaram assinar foram condenados como "perturbadores da paz pública" e mandados sair das Províncias Unidas. Johan van Oldenbarnevelt, líder político ligado aos remonstrantes, foi decapitado em 13 de maio de 1619. As duas partes citavam a Escritura. Com o mesmo livro, ninguém tinha, para o outro lado, um juiz aceito por todos.

Do mesmo sínodo saiu uma decisão que tocou diretamente na leitura: a de fazer uma tradução oficial holandesa, a Statenvertaling, publicada em 1637 e feita a partir das línguas originais. Foi a Bíblia padrão dos protestantes holandeses por mais de três séculos.

🌱 Semente de sermão

Pedro diz que, nas cartas de Paulo, "há pontos difíceis de entender" 2 Pe 3.16. É uma frase honesta, escrita por um apóstolo sobre outro. Quem lê a Bíblia com humildade começa admitindo que há trechos que não entende de primeira, e que não tem de entender tudo sozinho.

04 — ESCOLA E BÍBLIAO que se sabe sobre a alfabetização

Uma versão popular diz que a Reforma "criou" a alfabetização, porque Lutero queria que todos lessem a Bíblia. O que se pode afirmar é mais modesto e mais interessante.

Primeiro, o ponto de partida. Uma estimativa corrente, atribuída a Engelsing (1973), diz que menos de 1% da população alemã sabia ler na época da Reforma. Outros estudos, para outras populações, dão números maiores; as estimativas variam muito, e não há contagem direta. Já havia escolas antes: o estudo citado abaixo registra 55 escolas de meninos em Brandemburgo em 1539, o ano em que ali se introduziu a Reforma.

Segundo, o que os reformadores pediram. Em 1520, em À nobreza cristã da nação alemã, Lutero escreveu que a Escritura devia ser o primeiro e mais geral objeto de estudo nas escolas e que "Deus quisesse que cada cidade tivesse também uma escola de meninas, em que se ensinasse o Evangelho uma hora por dia" (tradução minha, da versão inglesa, citada num estudo de economia histórica). Em 1524, escreveu aos conselhos das cidades alemãs pedindo escolas. João Bugenhagen, pastor de Wittenberg, escreveu ordenanças de igreja para cidades do norte da Alemanha; a de Braunschweig, de 1528, previa quatro escolas de meninos e quatro de meninas, com ensino de leitura.

Terceiro, o que as pesquisas mostram. Sascha Becker e Ludger Wößmann, num texto de trabalho de 2008, estudaram dados do censo prussiano de 1816 e de 1871. Concluíram que, na Prússia, onde havia mais protestantes, a diferença entre meninos e meninas na escola era menor, e que em 1871 as mulheres protestantes eram, em média, mais alfabetizadas do que os homens católicos. O estudo cita, para Brandemburgo, 55 escolas de meninos e 4 de meninas em 1539, cerca de 78 e 9 em 1572 (a tabela do estudo dá 76 e 9), e um salto das de meninas para 45 entre 1573 e 1600 (a partir de Green, 1979). Os próprios autores apresentam o protestantismo como um fator entre outros, e o resultado diz respeito à Prússia e ao século XIX, não à Europa inteira.

📜 Posições em debate

A leitura protestante tradicional liga a escola ao princípio de que cada um deve poder ler a Bíblia, e as fontes acima apoiam isso, ao menos para as regiões luteranas do norte e do leste da Alemanha. Os autores do estudo afirmam que o esforço católico de escolarização, especialmente o de meninas, foi muito menor em escala; mas isso é a conclusão de um estudo sobre a Prússia, e o estudo não mede o que as escolas católicas fizeram em outras regiões. Um limite geral: saber ler, no século XVI, não significava saber escrever, nem ter uma Bíblia em casa, e a maioria dos protestantes continuava a ouvir a Escritura mais do que a ler.

⚠️ Por isso, "a Reforma criou a alfabetização" é exagero. O que está bem sustentado é que as igrejas protestantes, ao exigirem que o povo conhecesse a Bíblia e o catecismo, deram à escola um motivo e uma organização que ajudaram a espalhar a leitura, em particular entre as meninas.

05 — LUZES E SOMBRASO que não se deve esquecer

Um livro sobre a Reforma que contasse só as luzes seria propaganda. As luzes são reais: a Bíblia em línguas do povo, as escolas, o catecismo, a pregação, o canto, a disputa pública sobre o que a Escritura diz. As sombras também.

Lutero, em 1543, escreveu Sobre os judeus e suas mentiras. Nele propõe sete medidas, entre elas queimar as sinagogas e escolas dos judeus, tomar seus escritos religiosos, proibir os rabinos de pregar, retirar-lhes a proteção nas estradas, confiscar-lhes o dinheiro e pôr os jovens para o trabalho braçal. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a maioria dos estudiosos acha que o texto teve influência duradoura nas atitudes alemãs; Johannes Wallmann discorda e diz que foi em grande parte ignorado nos séculos XVIII e XIX. Em 18 de abril de 1994, a Igreja Evangélica Luterana na América adotou uma declaração à comunidade judaica em que rejeita as "diatribes antijudaicas" de Lutero e as recomendações violentas de seus escritos tardios, e outros corpos luteranos, desde os anos 1980, repudiaram essas palavras.

Do outro lado estão a noite de São Bartolomeu e as sanções da Inquisição e do Índice. Entre os próprios protestantes, há a condenação dos anabatistas (Capítulo 7), a execução de Serveto em Genebra (Capítulo 6), os remonstrantes em Dort. Nenhum desses fatos anula o resto, e o resto não os desculpa.

06 — A PONTE PARA O PORTUGUÊSAlmeida, de Portugal à Batávia

O português entra nessa história de modo quase lateral. João Ferreira de Almeida nasceu em 1628, em Torre de Tavares, em Portugal, tornou-se pastor protestante na tradição reformada holandesa e viveu na colônia holandesa de Java, onde morreu, em Batávia, em 1691. O Novo Testamento dele foi impresso pela primeira vez em 1681, em Amsterdã, com apoio da Companhia das Índias Orientais, enquanto ele estava na Batávia. A edição saiu cheia de erros tipográficos, e cerca de 1.600 exemplares foram destruídos na Holanda. Uma segunda edição, revista, foi impressa na própria Batávia, em 1693, depois da morte dele; há quem ache que os revisores a prejudicaram.

O Antigo Testamento ficou incompleto: Almeida chegou até Ezequiel 48, e o pastor holandês Jacobus op den Akker concluiu a tradução. Os dois volumes do Antigo Testamento foram impressos na Batávia, em 1748 e 1753, cerca de sessenta anos depois da morte do tradutor. É a mesma história deste livro, em miniatura: um tradutor, um texto em língua do povo, erros, revisões, revisores que alteram o que o tradutor escreveu. A versão Almeida Corrigida Fiel, que usamos nas citações deste livro, descende dessa tradução.

Os estudiosos divergem em alguns detalhes, como o ano em que Op den Akker terminou o trabalho (1694, segundo uma fonte) e o que exatamente se corrigiu em cada edição.

07 — O QUE ISSO MUDA NA LEITURALê-se em muitas línguas, e discute-se em todas

Em 1648, quem sabia ler na Europa podia, conforme a cidade e a confissão, ter uma Bíblia em alemão, em holandês, em inglês ou em francês, e o católico, em algumas regiões e com licença, na língua do povo. A leitura estava mais perto de muita gente do que em 1500, e não estava, por isso, livre de guias: o pastor, o catecismo, o padre, a confissão de fé e o príncipe estavam ali.

Para o leitor de hoje, a herança é dupla. A convicção de que a Escritura deve ser traduzida, ensinada e lida por todos vem desse século, e é compartilhada hoje, em outros termos, também pela Igreja Católica. E a pergunta que ele deixou, quem tem autoridade para dizer o que a Bíblia significa, continua em aberto, com as respostas que acabamos de ouvir.

PARA FIXARO que ficou do capítulo

⚔️

1555 e 1648

Augsburgo reconhece luteranos e católicos; Vestfália acrescenta os calvinistas. O príncipe decide, mas o exercício privado da religião deixa de ser controlado por ele.

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Três vozes

Fórmula de Concórdia e Westminster: só a Escritura é juiz. Dei Verbum: a Igreja não tira sua certeza só da Escritura, e o magistério a serve.

🏫

Escola

"A Reforma criou a alfabetização" é exagero. Há bons indícios de que as igrejas protestantes impulsionaram escolas, inclusive de meninas.

🇧🇷

Almeida

Novo Testamento impresso em 1681; Antigo Testamento concluído por Op den Akker; impressão na Batávia em 1748 e 1753.

Fim do livro. A Bíblia que a Europa disputou, língua por língua, chega até nós em muitas traduções, e a leitura atenta de cada uma continua a ser o melhor lugar para começar.

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