‹ Voltar aos Estudos ☰ Capítulos
Retrato de Erasmo de Roterdã de perfil, de barrete preto, escrevendo num livro de capa vermelha; pintura de Hans Holbein, o Jovem
RAIO-X BÍBLICO · POVOS E MUNDOS DA BÍBLIA · LIVRO EM 11 CAPÍTULOS

A Europa da Reforma

o século em que a Europa disputou a Bíblia, língua por língua

Da Bíblia impressa em alemão, em 1466, à Paz de Vestfália, em 1648: como a Europa traduziu, leu, proibiu e disputou a Escritura, com as palavras de cada lado e o que a história mostra.

⏱ 11 capítulos · cerca de 2h15 de leitura · 25 imagens em domínio público ou CC0 · 4 camadas de estudo

SUMÁRIOOnze capítulos, de Erasmo a Vestfália

Leia em ordem, como um livro, ou entre pelo que mais lhe interessa. Cada capítulo leva de 9 a 18 minutos e termina com um "Para fixar".

  1. Cap.1 Ad fontes Erasmo, o Novo Testamento em grego e as Bíblias de antes de Lutero ⏱ 10 minLer capítulo MtRm1Jo
  2. Cap.2 Indulgências e 95 teses De Wittenberg a Roma, entre 1517 e a bula queimada de 1520 ⏱ 14 minLer capítulo MtRmHcGlHbFp1Pe
  3. Cap.3 Worms Diante do imperador, o Edito e os meses no Wartburg ⏱ 11 minLer capítulo JoMtAt
  4. Cap.4 A Bíblia em alemão Do Testamento de setembro à Bíblia completa, com seus cânones e suas ressalvas ⏱ 12 minLer capítulo RmTgGlGn1PeEf
  5. Cap.5 Zurique e a Ceia Zuínglio, as salsichas, a Bíblia pregada de ponta a ponta e Marburgo ⏱ 11 minLer capítulo MtJoTt1CoLc
  6. Cap.6 Calvino e Genebra As Institutas, o Consistório, Serveto e a Bíblia explicada versículo por versículo ⏱ 13 minLer capítulo EfRmIsAt1Tm
  7. Cap.7 Os anabatistas Rebatismo em Zurique, Münster e as fogueiras de todos os lados ⏱ 13 minLer capítulo MtMcAtClRm
  8. Cap.8 Tyndale em fuga Henrique VIII, o Novo Testamento contrabandeado e a Bíblia em toda igreja ⏱ 11 minLer capítulo At1CoMtNeJoRm
  9. Cap.9 De Genebra ao rei Tiago A Bíblia de Genebra, Elizabeth e a tradução de 1611 ⏱ 12 minLer capítulo GnÊx2CrSl
  10. Cap.10 Trento Como a Igreja Católica respondeu: o cânon, a Vulgata e o Índice ⏱ 12 minLer capítulo 2TsMcAtRmEf2Pe
  11. Cap.11 Guerras, sola scriptura e o português Os frutos e os problemas, 1648 e a ponte para Almeida ⏱ 16 minLer capítulo MtJo2Tm2PeAtRm
Começar pelo Capítulo 1
Capítulo 1 · Ad fontes · 10 min de leitura
Ficha do período — a Europa da Reforma
Período na história
De 1466 (a primeira Bíblia impressa em alemão) a 1648 (a Paz de Vestfália). O centro do livro é o século XVI
Território
O Império de língua alemã, a Suíça, a França, os Países Baixos, a Inglaterra e a Itália de Trento
Cidades
Basileia, Wittenberg, Worms, Zurique, Genebra, Colônia e Trento
Língua e escrita
Latim da Vulgata, grego de Erasmo, hebraico e as línguas do povo: alemão, holandês, inglês, francês
Religião
A Igreja Católica de Trento e as igrejas luterana, reformada, anglicana e anabatista, cada uma com sua leitura da Bíblia
Nomes na história
Erasmo, Lutero, Zuínglio, Calvino, Tyndale, Carlos V, Henrique VIII, o rei Tiago e os padres de Trento
Primeira e última data
1466 (Mentelin, em Estrasburgo) · 1648 (os acordos de Münster e Osnabrück)
O que deixaram ao mundo
A Bíblia em línguas do povo, as grandes traduções, as escolas ligadas ao catecismo, as confissões de fé e a pergunta sobre quem interpreta a Escritura

Como ler este livro — as 4 camadas

🔎 A palavra original — o hebraico, o grego e o latim: o que as palavras da Bíblia diziam e como cada tradução as decidiu.
👁️ Como era viver ali — o cotidiano: quem lia, em que língua, quanto custava uma Bíblia, o que se ouvia no templo.
🏺 O que as fontes dizem — os textos da época e os documentos (o que vem de tradição ou de debate aparece com 📜, na mesma cor). Sempre diz o que a fonte mostra, o que não mostra e onde as tradições discordam.
🌱 Semente de sermão — um gancho que já nasce pregação pronta.

SOBRE ESTE LIVROA Europa da Reforma, em poucos minutos

Estrasburgo, por volta de 1466. Da oficina do impressor Johannes Mentelin sai a primeira Bíblia inteira impressa em alemão, meio século antes de Lutero escrever uma linha contra as indulgências. Em 1648, na Paz de Vestfália, quem sabia ler na Europa podia ter uma Bíblia em alemão, em holandês, em inglês ou em francês, e a Europa estava dividida em três confissões reconhecidas. O que aconteceu entre uma data e outra é o assunto deste livro.

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim." Atos 17.11

Não é uma história só de Lutero, e não é uma história só de teologia. É a história de como um livro foi impresso, traduzido, proibido, queimado, comentado, ensinado a crianças e disputado em concílios, em dietas e em campos de batalha. Cada capítulo abre dentro de uma cena e responde a uma pergunta prática: quem lia a Bíblia nessa época, em que língua, quem a traduzia e quem tinha o direito de dizer o que ela significava. Se você ler só esta página, já sai com o essencial.

O que veio antes. A Bíblia não estava trancada. Havia Bíblias impressas em latim desde o século XV e em alemão desde 1466, e em 1516 Erasmo publicou o primeiro Novo Testamento em grego a chegar aos leitores (Capítulo 1). O que havia eram restrições, mais duras em alguns lugares do que em outros, e uma geração de eruditos decidida a voltar às fontes.

A virada. Em 1517, Lutero escreve ao arcebispo de Mainz sobre as indulgências (Capítulo 2). Em abril de 1521, em Worms, diante do imperador, recusa-se a retratar (Capítulo 3). Em setembro de 1522 sai o Novo Testamento em alemão (Capítulo 4). Zuínglio, em Zurique, e Calvino, em Genebra, seguem caminhos próprios, e em Marburgo dois reformadores leem o mesmo grego e discordam sobre uma frase de poucas palavras (Capítulos 5 e 6). Os anabatistas leem de outro modo e pagam o preço (Capítulo 7).

A Inglaterra e a Bíblia em toda igreja. Tyndale foge de Colônia com folhas impressas, é executado em 1536, e anos depois o rei que o combateu manda pôr a Bíblia em inglês nas igrejas (Capítulo 8). Depois vêm a Bíblia de Genebra, de 1560, e a de 1611, a do rei Tiago (Capítulo 9).

A resposta de Roma. Em 8 de abril de 1546, o Concílio de Trento decide, com as próprias palavras, o que a Igreja Católica recebe como Escritura e qual latim vale nas lições públicas, e o Índice regula a leitura em língua do povo. O capítulo mostra o que Trento decidiu e o que não decidiu (Capítulo 10).

O que ficou. De Augsburgo, em 1555, à noite de São Bartolomeu, em 1572, e à Paz de Vestfália, em 1648, a Europa discute com a espada o que a Bíblia diz. O livro fecha com a pergunta que sobrou (quem decide, se todos apelam à Escritura?), com o que se sabe sobre escola e leitura, e com uma ponte curta até Almeida e o português (Capítulo 11).

O que as fontes dizem. Cada tradição é descrita com as próprias palavras e os próprios textos: o decreto de Trento, a Fórmula de Concórdia, a Confissão de Westminster, as cartas de Lutero. O que os historiadores de hoje estabelecem vem separado do que cada lado afirma. Mitos conhecidos (as 95 teses pregadas na porta, o "Aqui estou", a Bíblia proibida em língua do povo, os livros que Lutero "tirou", "a Igreja proibia a Bíblia", "a Reforma criou a alfabetização") são examinados um a um, e o livro diz o que as fontes sustentam e o que não sustentam. As sombras do século aparecem tanto quanto as luzes.

Como isso muda sua leitura. Você vai ver que "Bíblia em língua do povo" não nasceu em 1517, que cada tradução foi também uma decisão (que livros, que notas, que palavras), e que a pergunta "quem tem autoridade para dizer o que a Bíblia significa?" tem respostas antigas, que continuam em uso. Vai ler a Almeida e a Bíblia de Genebra sabendo de onde vêm.

ANTES DE COMEÇARO mapa para não se perder

Antes de entrar nas cenas, fixe estes seis cartões.

🌍

Onde

A Europa central e ocidental: o Império de língua alemã, a Suíça, a França, os Países Baixos, a Inglaterra, a Itália de Trento.

⏳

Quando

De 1466 (a primeira Bíblia alemã impressa) a 1648 (a Paz de Vestfália). O centro do livro é o século XVI.

📖

Por que importa na Bíblia

É nesse século que se decidem as traduções que a maioria dos leitores de hoje conhece de longe: a de Lutero, a de Genebra, a do rei Tiago, e, por tabela, a que chega ao português.

✍️

Três respostas sobre a autoridade

Luteranos e reformados dizem que só a Escritura é juiz; a Igreja Católica diz que a Escritura e a tradição são lidas sob o magistério. O Capítulo 11 as ouve nas próprias palavras.

🧭

Um mito para desarmar

"A Igreja proibia a Bíblia" mistura épocas e lugares. Houve Bíblias católicas em língua do povo antes e depois de Trento, e houve regras de licença. O Capítulo 10 separa uma coisa da outra.

🔎

A prova que não existe

Que Lutero pregou as 95 teses na porta da igreja é uma tradição debatida; o que as fontes sustentam é a carta a Albrecht de Brandemburgo, de 31 de outubro de 1517 (Capítulo 2).

Leve o livro com você

Baixe A Europa da Reforma — o livro completo, com os 11 capítulos, em PDF — diagramado, com as obras de arte e as 4 camadas de estudo, pronto pra ler offline, imprimir ou usar no preparo do sermão.

🔒 Baixar PDF completo
Download liberado para assinantes do Strong Completo.
Pronto para começar? Comece pelo livro de Erasmo, em 1516.
Começar pelo Capítulo 1
Capítulo 1 · Ad fontes · 10 min de leitura