SOBRE ESTE LIVROA Bíblia nos Estados Unidos, em poucos minutos
Filadélfia, 11 de setembro de 1777. O país está em guerra, e as Bíblias da Inglaterra deixaram de chegar. Uma comissão do Congresso Continental informa que imprimir Bíblias em casa pode não compensar e propõe importar vinte mil exemplares, porque "o uso da Bíblia é tão universal, e sua importância tão grande" (tradução minha). Cinco anos depois, em 12 de setembro de 1782, o mesmo Congresso aprova uma resolução que recomenda aos habitantes dos Estados Unidos a edição do impressor Robert Aitken.
É um bom ponto de partida, porque mostra duas coisas ao mesmo tempo. A Bíblia era assunto de Estado. E a mesma Bíblia não impedia que os delegados discordassem de quase tudo: no primeiro Congresso, em 1774, John Jay e John Rutledge chegaram a objetar à oração de abertura, porque as igrejas eram tantas que, segundo Adams, os delegados não podiam se unir num mesmo ato de culto.
O que o livro cobre. São onze capítulos, de Jamestown, em 1607, à Bíblia NIV de 1978, com um documento de 2010. Começa com os colonos e a Bíblia de Genebra (capítulo 1), passa pelos dissidentes e pela Bíblia de Eliot em massachusett (2), pelo Primeiro Grande Despertamento (3), pela Revolução e pela Bíblia de Aitken (4) e pelo debate sobre a "nação cristã" (5), pelo Segundo Despertamento e pela Bíblia de Webster (6), pela escravidão (7) e pelas igrejas negras (8), pela rua Azusa (9), pelo fundamentalismo, o rádio e a televisão (10) e pelas missões americanas, com uma ponte curta para o Brasil (11).
A mesma Bíblia, leituras opostas. Roger Williams leu a parábola do joio e concluiu que a força não devia tocar a consciência; os magistrados de Massachusetts leram a Escritura e o expulsaram. Pregadores patriotas e pregadores leais à Coroa leram Romanos 13 e chegaram a lados opostos. Na escravidão, houve sermões a favor e sermões contra, e os dois lados tinham texto. O livro mostra os dois, com as fontes, sem suavizar e sem caricaturar.
O que o livro não faz. Não defende que os Estados Unidos "são" ou "nunca foram" uma nação cristã, não toma partido político e não faz juízo doutrinário sobre dons espirituais, prosperidade ou fundamentalismo. Quando os historiadores discordam, o livro diz quem diz o quê: Jon Butler, Frank Lambert e Thomas Kidd sobre o Despertamento; Mark Noll, Nathan Hatch, George Marsden, John Fea, David Sehat e Daniel Dreisbach sobre a fundação; Vinson Synan e Allan Anderson sobre as origens do pentecostalismo; Mark Edwards e Joel Carpenter sobre o pós-Dayton; Kate Bowler sobre a prosperidade. O leitor interessado deve procurar essas obras.
Como verificamos. Cada capítulo abre dentro de uma cena documentada, e os documentos citados (Bradford, Winthrop, Edwards, Allen, Douglass, o jornal The Apostolic Faith, a transcrição de Dayton) vêm com tradução minha e referência. As citações da Bíblia seguem a Almeida Corrigida Fiel, e as palavras em hebraico e grego vêm do dicionário de Strong. Os mitos populares ("os Pais Fundadores eram todos evangélicos", "a Bíblia foi a base da Constituição") são conferidos em fonte acadêmica e escritos só até onde a fonte vai.
Como isso muda sua leitura. Você vai ver que "Betel", em Gênesis 28, é o nome da igreja de Richard Allen. Vai notar que "noutras línguas", em Atos 2.4, usa uma palavra diferente de "própria língua", nos versículos 6 e 8. Vai saber que 2 Timóteo 3.16 tem uma palavra que só aparece ali no Novo Testamento. E vai ver como uma palavra de Isaías 7.14 virou polêmica pública em 1952. O livro quer que o leitor volte ao texto bíblico com perguntas melhores.
ANTES DE COMEÇARO mapa para não se perder
Cada capítulo traz o que diz o documento, o que dizem os historiadores e onde eles discordam. Antes de entrar nas cenas, fixe estes seis cartões.
Onde
Das colônias da costa atlântica, de Jamestown e de Boston, ao Kentucky de Cane Ridge, ao Sul da escravidão e a Los Angeles. O último capítulo sai do país, com uma ponte curta até o Brasil.
Quando
De 1607 (Jamestown) a 1978 (a Bíblia NIV completa), com um documento de 2010. O núcleo do livro vai do Mayflower (1620) à Assembleia de Deus em Belém (1911).
Por que importa na Bíblia
Quase toda a vida pública americana apelou à Escritura, de um lado e de outro. Ler essa história é ver a Bíblia usada, e aprender a perguntar como se usa.
Fontes primárias
Bradford e Winthrop, Edwards, Allen e Douglass, o jornal da rua Azusa e a transcrição de Dayton: o livro cita o texto, com tradução curta e referência exata.
Debates, sem tese
"Nação cristã?", o Despertamento, o pós-Dayton, a origem do pentecostalismo, a prosperidade: o livro põe as posições lado a lado e marca com ⚠️ onde há discordância.
Uma ponte
Simonton (1859), Vingren e Berg (1910) e Francescon (1910) ligam este livro ao O Protestantismo no Brasil, o próximo da série.
Leve o livro com você
Baixe Os Estados Unidos — o livro completo, com os 11 capítulos, em PDF — diagramado, com as obras de arte e as 4 camadas de estudo, pronto pra ler offline, imprimir ou usar no preparo do sermão.
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