Os CananeusCapítulo 3 de 11 ⤓ PDF
Ruínas do templo circular de Baalbek, com colunas e arcos, sob um céu claro; litografia colorida de David Roberts
CAPÍTULO 3 DE 11

No que acreditavam

El, Baal, Aserá e a resposta da Bíblia

Quem eram El, Baal e Aserá, o que os textos de Ugarit dizem sobre eles, e o que a Bíblia responde a todos.

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É de noite, e Gideão tem medo. Com dez servos, ele sai da casa do pai, pega um boi e vai derrubar o altar de Baal que fica ali no terreno. Corta também o "bosque" ao lado dele. O texto não esconde o motivo da pressa: "temendo ele a casa de seu pai, e os homens daquela cidade, não o fez de dia, mas fê-lo de noite" Jz 6.27.

De manhã, a cidade acorda e o altar não está mais lá. Os homens querem matar o rapaz. O pai, Joás, responde com uma frase que vale por todo um capítulo: "Contendereis vós por Baal? [...] se é deus, por si mesmo contenda" Jz 6.31. Quem era esse Baal, e por que um altar dele estava num quintal israelita? É o assunto deste capítulo: no que os cananeus acreditavam, e o que o texto bíblico faz com isso.

07 — OS TEXTOS DE UGARITUma biblioteca de deuses

Durante séculos, quem queria saber no que os cananeus acreditavam só tinha a Bíblia, e a Bíblia fala deles de fora, em tom de acusação. Isso mudou em 1928. Um lavrador, arando um campo perto da costa da Síria, abriu sem querer uma antiga tumba em Minet el-Beida. A missão francesa de Claude Schaeffer começou a escavar no ano seguinte, na colina vizinha de Ras Shamra, e achou uma cidade: Ugarit. Ficava a uns dez quilômetros ao norte de Latakia, e foi destruída por volta de 1190–1185 a.C., no colapso do fim do Bronze.

Dentro da cidade, no palácio e em outros prédios, havia milhares de tabuinhas de argila. Algumas estavam em acádio, o idioma da diplomacia. Outras, em línguas como o hurrita e o hitita. E um grupo grande estava numa escrita nunca vista: um alfabeto de 30 sinais feitos com cunhas, escrito por escribas de Ugarit por volta de 1400 a.C. A língua era o ugarítico, parente do hebraico, do fenício e do aramaico. Entre elas estavam poemas sobre deuses e reis: o Ciclo de Baal, a Lenda de Keret, o Conto de Aqhat.

O Ciclo de Baal tem seis tabuinhas. Conta, em versos, como o deus da tempestade, Baal, disputa o poder com dois rivais. O primeiro é Yam, o Mar. Baal o derrota com duas clavas feitas pelo deus artesão Kothar. Depois Baal pede um palácio, e só consegue com a licença do velho El, com a ajuda das deusas Anat e Atirate. Kothar o constrói, e Baal abre uma janela por onde sai o trovão. Então o segundo rival aparece: Mot, a Morte, que o engole. Anat o vence, e Baal volta. É a história de um deus que vence o mar, ganha uma casa e passa pela morte.

🏺 O que a pá encontrou

As tabuinhas de Ugarit estão hoje espalhadas entre o Louvre, em Paris, e os museus de Damasco e de Alepo. O Ciclo de Baal traz, no fim das tabuinhas, o nome de um escriba, Ilimilku, que trabalhou sob um rei de Ugarit chamado Niqmaddu; qual deles, e portanto a data exata dentro do Bronze Final (entre c. 1350 e c. 1200 a.C.), é debatido. Para a Bíblia, o que importa é o que esses textos mostram: como se falava dos deuses numa cidade que viveu ao lado da terra de Canaã e usou uma língua muito próxima do hebraico.

⚠️ Ugarit fica no norte da Síria, bem acima do mapa de Gênesis 10.19. A língua é parente do hebraico, mas os textos de Ugarit quase nunca usam "cananeu" para o próprio povo (o termo aparece como rótulo de gente de fora, como numa carta do rei de Ugarit ao faraó que fala dos "filhos da terra de Canaã"), e há estudiosos que duvidam que o povo de Ugarit se visse como cananeu. Por isso, o que Ugarit diz sobre Baal e El vale como pista de como um mundo vizinho e aparentado pensava, não como retrato exato da religião de Siquém ou de Hazor. E o Ciclo de Baal foi lido de dois jeitos: como um mito das estações (Baal morre no verão seco e volta com as chuvas), ou, como defende Oldenburg, como o relato de uma seca específica. A discussão continua.

08 — EL, O PAI DOS DEUSESE o Deus de Abraão

Em Ugarit, o deus mais velho e mais alto é El. Os textos o mostram como pai e rei do grupo dos deuses, sentado numa corte, e é dele a licença que Baal precisa para ter casa. A palavra El significa "deus", e também é o nome próprio desse deus. Em hebraico, a palavra existe: 'ēl (אֵל), e o dicionário de Strong a define como "poder; sobretudo o Todo-Poderoso (mas usada também para qualquer divindade)".

Isso importa porque a Bíblia usa nomes com El para o Deus de Abraão. Quando o patriarca volta de uma guerra, vem ao seu encontro um rei de nome estranho:

"E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra." Gênesis 14.18-19

"Deus Altíssimo" é, no hebraico, 'El 'Elyôn, um nome de El. Melquisedeque é rei e sacerdote numa cidade cananeia, e fala em nome do El dele. E Abraão, depois, identifica esse Deus com o Senhor: "Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra" Gn 14.22. Outros nomes parecidos aparecem na vida dos patriarcas: 'El Shaddai, "Deus Todo-Poderoso" Gn 17.1; 'El 'Olam, "Deus eterno", em Berseba Gn 21.33; 'El Roî, o "Deus que me vê", de Agar Gn 16.13. E o próprio Senhor diz a Moisés: "eu apareci a Abraão, a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido" Êx 6.3.

Pequena estátua de bronze coberta de folha de ouro de um deus sentado, com coroa alta
Deus entronado — bronze com folha de ouro, cananeu, c. séc. XIV–XIII a.C.; Metropolitan Museum of Art, Nova York (doação de George D. Pratt, 1932). Figuras assim costumam ser lidas como um deus idoso e soberano, como El, mas sem inscrição isso é hipótese. CC0.

O que fazer com essa vizinhança de nomes? Há duas leituras honestas, e este livro não escolhe entre elas.

A primeira vem da própria Bíblia. Ela diz que os patriarcas conheciam Deus por nomes como El Shaddai e El Elyon, e que o nome Senhor lhes foi dado depois, a Moisés Êx 6.3. Nessa leitura, usar palavras da língua de Canaã para falar com o Deus verdadeiro não é estranho: é o que se faz quando se vive entre os cananeus. Quem lê assim costuma lembrar que "Deus" é uma palavra comum, e que o que conta é a quem ela se refere.

A segunda leitura é a de muitos estudiosos críticos, como Mark S. Smith, no livro The Early History of God. Para eles, Yahweh era originalmente um deus do sul, diferente de El, e os dois foram se juntando, até o nome Yahweh absorver o papel de El. A prova, para eles, seria justamente a presença desses nomes no texto. Quem lê pelo primeiro caminho discorda dessa reconstrução.

⚠️ Nenhum achado decide essa discussão. A mesma evidência (nomes de El nos patriarcas, e um título parecido com "Possuidor dos céus e da terra", "El, criador da terra", que aparece em inscrições fenícias) é lida de dois jeitos, conforme o que cada leitor pensa de como a Bíblia foi escrita.

09 — BAAL, O QUE CAVALGA AS NUVENSO dono da chuva

Se El é o velho rei, Baal é o deus que age: o da tempestade, da chuva e da fartura. Em Ugarit, ele aparece também com o nome Hadad, que é o nome do deus da tempestade em todo o mundo semítico do noroeste. E um dos seus títulos é, ao que os especialistas leem, "o que cavalga as nuvens". Faz sentido numa terra onde tudo depende da chuva de inverno.

🔎 A palavra original

Ba'al (בַּעַל) é uma palavra comum em hebraico: "dono, senhor", e também "marido". O dicionário de Strong diz: "um senhor; daí, um marido, ou, figuradamente, um dono". O deus Baal é, literalmente, "o Senhor". Quando o texto bíblico fala em "baalins", no plural, trata dos muitos "senhores" de cada lugar. Por isso, a Bíblia está cheia de nomes de lugar com Baal: Baal-Peor, Baal-Hermom, Baal-Gade. Um dos mais curiosos fica perto da fronteira do Egito: "diante de Baal-Zefom" Êx 14.2. Tsafon é o nome do monte onde, nos textos de Ugarit, Baal tem a sua casa: o Jebel Aqra, na costa da Síria. Muitos estudiosos pensam que esse nome vem de marinheiros e comerciantes do norte, que levavam o seu deus para longe.

E há um jogo de palavras lindo no profeta Oseias, em que Deus fala do dia em que o seu povo o chamará de outro jeito: "tu me chamarás: Meu marido; e não mais me chamarás: Meu senhor" Os 2.16. O hebraico diz 'îshî, "meu marido, meu homem", e ba'alî, "meu dono". Strong registra o segundo como "um nome simbólico para Jeová". Deus pede para ser chamado pela palavra do amor, e não pela palavra do domínio, que era também o nome do rival. O versículo seguinte vai direto ao ponto: "da sua boca tirarei os nomes dos Baalins" Os 2.17.

A imagem de Baal mais famosa vem de Ugarit. É uma estela de pedra, de mais de três mil anos, com o deus de pé, o braço direito erguendo uma clava e o esquerdo segurando um raio, que termina em folhas, como se brotasse.

Estela de pedra clara com um deus em relevo brandindo uma clava, com um raio na outra mão
Estela de Baal com o raio — calcário, de Ugarit (Ras Shamra), Bronze Final (séc. XV–XIII a.C.); Museu do Louvre, Paris (AO 15775). Foto: Jastrow (2006). Domínio público.

Perceba o que a imagem faz: ela mostra o deus como guerreiro e como fonte da fartura, ao mesmo tempo. Para quem esperava a primeira chuva do outono, era a um deus assim que se pedia.

👁️ Como era viver ali

Imagine um lavrador de Ugarit ou de Siquém no fim do verão. Os campos estão duros, o poço está baixo, e a semente só pode ser plantada se vier a chuva. O que ele faz? Vai ao santuário e leva uma oferta. Muitas cidades e aldeias tinham o seu lugar de culto: um terraço de pedra, uma pedra em pé, uma árvore sagrada ao lado. Havia também banquetes de grupo, em que se bebia muito vinho. Os textos de Ugarit falam dessas confrarias, e os estudiosos as chamam de marzeah. O profeta Amós, séculos depois, descreve algo parecido em Israel: gente "em camas de marfim" que "bebem vinho em taças" Am 6.4-6. O hebraico de Amós 6.7, que a ACF traduz por "festins dos banqueteadores", traz a palavra marzeach, o mesmo termo. A religião cananeia era uma religião de comida, de bebida, de festa e de medo da seca, uma religião em que a vida de todo dia e o culto andavam juntos.

10 — ASERÁ, ASTARTE E ANATAs deusas, e o que a Bíblia traduziu por "bosque"

Nos textos de Ugarit, a esposa de El se chama Atirate (Athirat), e tem setenta filhos, os deuses menores. Seu título completo é lido por muitos como "Senhora Atirate do Mar". O nome corresponde ao hebraico 'ashērāh, Aserá. E aqui a ACF esconde algo do leitor.

🔎 A palavra original

O hebraico 'ashērāh (אֲשֵׁרָה) aparece umas quarenta vezes no Antigo Testamento. O dicionário de Strong a define como "Aserá (ou Astarte), uma deusa fenícia; também uma imagem dela". A ACF traduz a mesma palavra de três jeitos. Na maior parte, "bosque": o Senhor manda a Gideão "corta o bosque que está ao pé dele" Jz 6.25, e Josias tira do templo "todos os vasos que se tinham feito para Baal, para o bosque" 2Rs 23.4. Uma vez, "ídolo": Asa depõe a rainha-mãe Maaca "porquanto tinha feito um horrível ídolo a Aserá" 1Rs 15.13. E uma vez como nome próprio: "os quatrocentos profetas de Aserá, que comem da mesa de Jezabel" 1Rs 18.19. A tradução grega antiga, a Septuaginta, usou quase sempre alsos, "bosque". O resultado é que o leitor de português quase nunca percebe que o texto fala de uma deusa, ou de um objeto de culto feito para ela, um poste de madeira ou uma árvore.

⚠️ Os estudiosos discutem se a "aserá" da Bíblia é a deusa, o poste dela, ou os dois, e se uma coisa se separa da outra. A maior parte dos versículos fala de um objeto de madeira que se corta, se queima, se põe no templo. Mas achados fora da Bíblia mexeram no debate: em Kuntillet Ajrud, no Sinai, uma construção de c. 800 a.C. escavada por Ze'ev Meshel em 1975–1976, inscrições falam de "Yahweh de Samaria e sua aserá" e de "Yahweh de Temã e sua aserá". Uma inscrição de tumba em Khirbet el-Qom, perto de Hebrom, é lida por alguns de forma parecida. Alguns leem aí uma deusa ao lado do Senhor; outros leem um objeto de culto, ou um santuário. A questão continua aberta, e os próprios achados são contestados em sua interpretação.

A segunda deusa que a Bíblia nomeia é Astarote, em hebraico 'Ashtōreth, plural 'Ashtārōth. Strong a descreve como "a deusa fenícia do amor (e da fecundidade)". Salomão "seguiu a Astarote, deusa dos sidônios" 1Rs 11.5. No tempo dos juízes, os filhos de Israel serviram "a Baal e a Astarote" Jz 2.13. E Samuel os chamou à volta: "tirai dentre vós os deuses estranhos e os astarotes" 1Sm 7.3. É a Astarte que aparece nos textos fenícios.

A terceira é Anat, a deusa guerreira do Ciclo de Baal, que mata Mot e traz Baal de volta. Seu nome aparece na Bíblia de relance, em nomes de lugar e de gente: a cidade de Bete-Anate Js 19.38, e o juiz "Sangar, filho de Anate" Jz 3.31. Para muitos estudiosos, o "filho de Anate" ou lembra a deusa, ou vem de uma cidade com o nome dela.

🏺 O que a pá encontrou

Os templos de basalto de Hazor. Na cidade baixa de Hazor, Yigael Yadin achou dois santuários do Bronze Final. Na Área H, na borda norte, havia um templo de três salas (pórtico, sala principal e lugar santíssimo), com ortostatos de basalto; um deles, na entrada, mostrava um leão em relevo. Na Área C, no canto sudoeste, um santuário pequeno guardava, num nicho, estelas e estatuetas de basalto: numa delas, duas mãos levantadas em direção a um símbolo lunar (crescente e disco), e uma estatueta de um homem sentado, com a cabeça quebrada de propósito. Em 1997, a equipe de Amnon Ben-Tor achou outro leão de basalto, talvez o par do primeiro, reaproveitado numa construção da época israelita, a mais de oitocentos metros dali. Ou seja: a cidade israelita reaproveitou pedras da cidade cananeia.

⚠️ As estelas mostram como se cultuava num santuário cananeu do Bronze Final, com pedras em pé (os matstsēbôt que a Bíblia manda quebrar, Êx 34.13) e um símbolo da lua. Mas nenhuma inscrição diz a qual deus o templo era dedicado, e ninguém sabe dizer quem quebrou a cabeça da estatueta, nem por quê. Não se pode escrever o nome de Baal ou de El sobre eles só pelas imagens.

11 — A RESPOSTA DA BÍBLIAO mesmo vocabulário, outro Deus

O que o texto bíblico faz com tudo isso é mais interessante do que um simples "não". Ele responde de três maneiras.

Primeira, ele manda destruir os lugares. Deuteronômio 12 é direto: "Totalmente destruireis todos os lugares, onde as nações que possuireis serviram os seus deuses, sobre as altas montanhas, e sobre os outeiros, e debaixo de toda a árvore frondosa; e derrubareis os seus altares, e quebrareis as suas estátuas, e os seus bosques queimareis a fogo" Dt 12.2-3. Primeiro uma lista de lugares, depois uma lista de objetos. Os altares, as estátuas e os bosques de que falamos neste capítulo são exatamente o que Deuteronômio descreve.

Segunda, ele diz que o povo falhou. O livro de Juízes resume a história inteira em duas linhas: "fizeram [...] o que era mau aos olhos do Senhor; e serviram aos baalins" Jz 2.11. Os livros de Reis voltam a isso muitas vezes, com Baal e Aserá no centro das queixas contra os reis de Israel e de Judá. O rei Josias ainda queima, no século VII, os vasos feitos para Baal e para o exército dos céus 2Rs 23.4-5.

Terceira, ele pega as palavras de Canaã e as entrega a outro. Esse é o ponto mais fino, e é discutido. O Salmo 29 é um poema sobre a voz do Senhor: "A voz do Senhor ouve-se sobre as suas águas; o Deus da glória troveja" Sl 29.3. A voz vem sete vezes no salmo. Nos anos 1930, o estudioso Harold Louis Ginsberg propôs que o salmo era um hino cananeu a Baal, retocado para servir ao Senhor. Outros acham que é obra israelita desde o início, que usa o mesmo vocabulário da tempestade, sem ser empréstimo. Há também o Salmo 68.4, que a ACF traduz como "aquele que vai montado sobre os céus": o hebraico tem 'ărābôt, que o dicionário de Strong relaciona a "deserto" ou "planície", e que alguns tradutores leem como "nuvens", por comparação com o título de Baal nos textos de Ugarit.

⚠️ A escolha entre as duas leituras não vem do achado, e sim de como se entende a formação da Bíblia. Quem aceita um empréstimo cananeu diz que o texto bíblico mostra Deus como o verdadeiro dono da chuva e da tempestade, o que Baal só alegava ser. Quem prefere uma origem israelita direta diz que as palavras vêm de uma língua e de uma poesia comuns, sem passar por Baal. As duas posições concordam em um ponto: o texto bíblico atribui o trovão ao Senhor.

Isso explica a cena de Gideão do começo. O que está em jogo no altar derrubado não é um nome só. É quem manda na chuva, na colheita e no inverno, e quem merece a oferta do lavrador que olha para o céu. Em outro capítulo, no Carmelo, essa pergunta volta com mais força e com um fogo do céu. Ali, "coxeareis entre dois pensamentos" pergunta Elias 1Rs 18.21. A resposta é o assunto do Capítulo 9.

🌱 Semente de sermão

"Se é deus, por si mesmo contenda." Joás dá, sem saber, a melhor definição de idolatria: um deus que precisa que os homens o defendam. Gideão fez de noite o que tinha medo de fazer de dia, e foi isso que o tornou Jerubaal, "Baal contenda contra ele" Jz 6.32. Obedecer com medo ainda é obedecer, e a derrubada do altar mostrou, de manhã, quem contende e quem cala.

PARA FIXARO que ficou do capítulo

📚

Ugarit, uma biblioteca

Achada em 1928, trouxe o Ciclo de Baal e um alfabeto de 30 sinais. Fica na Síria, ao lado de Canaã.

👴

El, o velho rei

"Deus Altíssimo" em Gênesis 14.18 é 'El 'Elyôn. Os nomes com El aparecem na vida dos patriarcas Gn 14.18.

⛈️

Baal, o dono da chuva

"Baal" quer dizer "senhor". O deus da tempestade tem a casa no monte Tsafon, e Êxodo 14.2 guarda o nome.

🌳

Aserá virou "bosque"

A ACF traduz o hebraico 'ashērāh como bosque, ídolo e Aserá Jz 6.25.

💬

"Meu marido", não "meu senhor"

Oseias joga com a palavra ba'alî: Deus não quer o título do rival Os 2.16.

🏺

Hazor, os templos de basalto

Mãos erguidas para a lua, um leão de basalto, uma estatueta sem cabeça, e nenhuma inscrição que dê o nome do deus.

Próximo capítulo: Abraão, Isaque e Jacó vivendo entre os cananeus, com Siquém, Hebrom, Melquisedeque e o túmulo comprado com prata.

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