SOBRE ESTE LIVROOs cananeus da Bíblia, em poucos minutos
Abrão volta de uma guerra, e um rei vem ao encontro dele com pão e vinho. Chama-se Melquisedeque, é rei de Salém e "sacerdote do Deus Altíssimo". Abençoa o patriarca em nome desse Deus. É um rei cananeu, e é um dos primeiros que a Bíblia mostra de perto.
Os cananeus são um povo que a Bíblia menciona muito e explica pouco. Aparecem de Gênesis a Atos, em quase 160 versículos, quase sempre vistos de fora, por quem chegou depois deles. Este livro entra do lado de dentro das muralhas. Conta quem eram, no que acreditavam, cada vez que cruzam o caminho do povo de Deus e o que a pá dos arqueólogos tirou do chão. Quem ler só esta página já sai com o essencial.
Quem eram. Canaã, na Bíblia, é um filho de Cão Gn 9.18, e dele saem onze famílias, de Sidom a Gaza Gn 10.15-19. Na história, são as cidades-estado do litoral e da serra, cada uma com seu rei, ligadas por língua e comércio, mas nunca por uma capital. Hazor, a maior, tinha uns 80 hectares. Nas cartas de Amarna, c. 1350 a.C., os reis de Jerusalém, de Siquém, de Megido e de Tiro escrevem ao faraó pedindo socorro uns contra os outros. Falavam uma língua parente do hebraico, e a palavra "cananeu", em hebraico, quer dizer também "mercador".
No que acreditavam. Os textos de Ugarit, achados em 1928 no norte da Síria, mostram El, o velho rei dos deuses, e Baal, o senhor da tempestade que vence o mar e passa pela morte. A esposa de El, Atirate, é a Aserá da Bíblia, que a ACF muitas vezes traduz por "bosque". A Bíblia conhece bem esses cultos: ela responde a eles, com o mesmo vocabulário, em Elias, em Oseias e no Salmo 29. Ugarit está um pouco além do mapa de Canaã, e este livro diz o que os textos de lá provam e o que não provam.
Cada vez que cruzam a Bíblia. Abraão compra, pesando prata, o primeiro pedaço de Canaã que o povo possui: um túmulo, de um cananeu chamado Efrom Gn 23.16. Raabe, de Jericó, confessa o Deus de Israel e salva a casa pela fé Js 2.11. Os gibeonitas sobrevivem pela astúcia Js 9. E as cidades de Josué trazem a passagem mais difícil do livro: a palavra ḥērem, "anátema", com a ordem de destruir. O livro mostra o que o texto manda, o que ele mesmo mostra em volta ("nada deixou" e, logo depois, os cananeus ainda lá), as cinco maneiras de ler que existem, sem tomar partido, e o que a arqueologia achou.
Em Juízes, Débora derrota os carros de Sísera, e a mãe dele espera à janela Jz 5.28. Em Siquém, Abimeleque é financiado pelo templo de Baal-Berite Jz 9.4. Depois vem a Fenícia: Hirão, rei de Tiro, manda cedros e artesãos a Davi e a Salomão 1Rs 5. Uma princesa de Sidom, Jezabel, casa com Acabe, e Elias enfrenta os profetas de Baal no Carmelo 1Rs 18. Os profetas condenam Tiro, e a história registra o cerco de Babilônia e a rampa de Alexandre. No Novo Testamento, Jesus vai à região de Tiro e de Sidom, e uma mulher cananeia lhe diz: "Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas" Mt 15.27.
O que a pá encontrou. A arqueologia confirma muita coisa e cala em outras, e o livro diz sempre qual é qual. Achou as cidades, os marfins de Megido, as cartas de Amarna, o navio de Uluburun com suas jarras cananeias, os textos de Ugarit, o sarcófago de Ahiram e a Pedra Moabita, que usa a mesma raiz, ḥrm, para devotar uma cidade ao deus de Moabe. Mas não confirma uma campanha como a de Josué, e há um debate honesto sobre a data dos patriarcas, sobre Jericó e Ai, e sobre se os cananeus realmente sacrificavam crianças (o debate do tofete de Cartago e de Moloque).
Como isso muda sua leitura. Você vai ver que o hebraico é uma língua de Canaã, que "Aserá" virou "bosque" na tradução, que o alfabeto das suas letras nasceu entre cananeus, e que a palavra "Bíblia" vem do nome de uma cidade deles, Biblos. Vai encontrar cananeus com nome, com preço e com voz: Efrom, Raabe, Hirão, Araúna, a mulher de Tiro. E vai ler com mais cuidado as passagens em que a Bíblia fala deles com dureza, sabendo o que o texto diz e o que os leitores discutem.
ANTES DE COMEÇARO mapa para não se perder
Na Almeida Corrigida Fiel, "Canaã", "cananeu" e "cananeia" aparecem em 158 versículos, de Gênesis a Atos, e Hirão, rei de Tiro, em cerca de trinta. Mesmo assim, é difícil dizer o que a Bíblia conta sobre eles de uma vez só: o povo vem em fragmentos, entre Abraão, os juízes, Salomão, Elias e Jesus. Antes de entrar nos capítulos, fixe estes seis cartões.
Onde
A costa e as montanhas do Levante, de Sidom a Gaza e ao Jordão, com a planície de Jezreel cortando tudo no meio. A chuva cai de outubro a abril, e o resto do ano é seco.
Quando
Das primeiras cidades, c. 3300 a.C., até Alexandre tomar Tiro, em 332 a.C. Os cananeus da costa, os fenícios, vão ainda mais longe.
Por que importa na Bíblia
É a terra da promessa, o povo vizinho, o mercador de Tiro, a rainha de Sidom, a mulher que gritou atrás de Jesus. Quase toda a história de Israel acontece em terra cananeia.
O momento mais famoso
Os muros de Jericó e, adiante, o Carmelo: "Até quando coxeareis entre dois pensamentos?" Js 6, 1Rs 18.21.
Não é um povo só
As listas bíblicas têm dez, onze, sete povos. Eram cidades, cada uma com seu rei, e não um país. O livro de Josué conta trinta e um Js 12.24.
A prova fora da Bíblia
As cartas de Amarna, os textos de Ugarit e o sarcófago de Ahiram, considerado o mais antigo exemplo do alfabeto fenício plenamente desenvolvido.
Em hebraico, o nome é Kᵉna'an (כְּנַעַן), e o mesmo radical forma kena'ani, "cananeu". Esta palavra também quer dizer "mercador": é o que se lê em Provérbios 31.24 e em Jó 41.6, e em Zacarias 14.21 a ACF escolheu "cananeu", embora o hebraico deixe lugar para "mercador" Zc 14.21. A mesma palavra serve de vizinho e de comerciante. O Capítulo 1 mostra os versículos, um por um.
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