Os BabilôniosCapítulo 6 de 11 ⤓ PDF
Os filhos de Zedequias são mortos diante dele; gravura de Gustave Doré
CAPÍTULO 6 DE 11

Nabucodonosor e as deportações

Os três golpes: Jeoiaquim, Jeconias e Zedequias

Quase vinte anos, três golpes e um templo em chamas: o que a Bíblia, as crônicas babilônicas e a pá contam da queda de Judá.

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Inverno em Jerusalém. O rei está na casa de inverno, e à sua frente há um braseiro aceso. Um secretário lê o rolo em voz alta. Quando termina três ou quatro folhas, o rei pega um canivete de escrivão, corta aquela parte e a joga no fogo. Faz isso até o rolo inteiro virar cinza: "cortou-as com um canivete de escrivão, e lançou-as no fogo que havia no braseiro, até que todo o rolo se consumiu" Jr 36.23. O mês era o nono, o do inverno Jr 36.9.

Se as contas dos estudiosos estão certas, nesse mesmo mês de 604 a.C., a menos de cem quilômetros dali, o exército de Nabucodonosor tomou e queimou a cidade filisteia de Ascalão. O rei de Judá queimava um rolo. O rei de Babilônia queimava uma cidade. Este capítulo conta o que veio depois: quase vinte anos em que Judá perdeu o reino, em três golpes, até o templo em chamas.

17 — O PRIMEIRO GOLPEJeoiaquim, Daniel e o rolo queimado (605–601 a.C.)

Depois de assumir o trono, Nabucodonosor voltou ao oeste e passou os meses seguintes recolhendo tributo dos reis da região que os babilônios chamavam de "Hatti". Entre eles, o rei de Judá, Jeoiaquim, filho de Josias. A Bíblia conta o episódio em dois lugares. Em Daniel:

"No ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou. E o Senhor entregou nas suas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos utensílios da casa de Deus, e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus, e pôs os utensílios na casa do tesouro do seu deus." Daniel 1.1-2

Em Segundo Reis, a fórmula é mais seca: "Jeoiaquim ficou três anos seu servo; depois se virou, e se rebelou contra ele" 2Rs 24.1. E Segundo Crônicas acrescenta o destino dos objetos: parte dos vasos do templo foi levada a Babilônia e posta "no seu templo em Babilônia" 2Cr 36.7. Foi nessa leva que Daniel e seus três amigos chegaram, como veremos no Capítulo 8.

Há um problema de datas, e a Bíblia não o esconde. Daniel 1.1 fala do "ano terceiro do reinado de Jeoiaquim" Dn 1.1, mas Jeremias liga o "quarto ano de Jeoiaquim" ao "primeiro ano de Nabucodonosor" Jr 25.1, isto é, 605 a.C. Os comentaristas explicam de várias maneiras: que são dois modos de contar os anos de um reino (um conta o ano de subida ao trono, outro não), ou que Daniel, escrevendo em Babilônia, usa o calendário de lá, ou que houve mais de uma subida do exército. O essencial é o mesmo em todas as contas: foi no começo do reinado de Nabucodonosor, logo depois de Carquemis.

Jeoiaquim se submeteu e ficou fiel por uns três anos (c. 604–601 a.C.). Nesse intervalo, aconteceu o episódio do rolo.

👁️ Como era viver ali

O rolo queimado de Jeremias 36 tinha vindo de longe. O profeta, impedido de entrar no templo, ditou as palavras ao escrivão Baruque, e Baruque as leu em público num dia de jejum, no nono mês do quinto ano de Jeoiaquim Jr 36.9. Os príncipes se assustaram e levaram a notícia ao rei. O rei, em vez de se assustar, queimou: "E não temeram, nem rasgaram as suas vestes, nem o rei, nem nenhum dos seus servos" Jr 36.24. Três nomes tentaram impedi-lo, Elnatã, Delaías e Gemarias, mas ele não lhes deu ouvidos Jr 36.25.

🏺 O que a pá encontrou

A Crônica de Nabucodonosor (BM 21946) conta, para o primeiro ano completo do rei (604/603 a.C.), que ele percorreu o oeste, recebeu o tributo dos reis e, no mês de kislimu, tomou a cidade de Ascalão, capturou o rei, saqueou e reduziu a cidade a ruínas. Kislimu corresponde ao nono mês, o mesmo de Jeremias 36.9. A expedição da Universidade Harvard, dirigida por Lawrence Stager, achou em Ascalão uma camada de destruição por fogo que combina com essa data: jarros de armazenamento esmagados, muitos com trigo queimado dentro.

⚠️ A coincidência de mês chamou a atenção de alguns estudiosos, que sugerem que o jejum de Jeremias 36.9 tenha sido convocado por medo do avanço babilônico. Mas o texto bíblico não diz isso, e a ligação é hipótese, embora plausível. Já a destruição de Ascalão em 604 a.C. é fato firme, atestado pelo texto e pela pá.

🌱 Semente de sermão

O rei queimou o rolo. Deus mandou escrever outro. "Tomou, pois, Jeremias outro rolo, e deu-o a Baruque... e ainda se lhes acrescentaram muitas palavras semelhantes" Jr 36.32. Queimar a página não apaga o que ela diz. Pior para quem queima: o segundo rolo veio maior. Há reis, e há gente comum, que acha que basta se livrar do aviso para se livrar do problema.

18 — O SEGUNDO GOLPEJeconias, os cativos e Ezequiel (601–597 a.C.)

Por volta de 601 a.C., o rei de Babilônia tentou invadir o Egito, e a batalha terminou sem vencedor claro. A crônica é honesta: os dois exércitos se bateram em campo aberto, os dois sofreram perdas pesadas, e Nabucodonosor voltou para casa e passou o ano seguinte refazendo seus carros e cavalos. Foi nesse momento de fraqueza que Jeoiaquim "se virou, e se rebelou" 2Rs 24.1. A resposta não veio logo. Primeiro, bandos: "o Senhor enviou contra ele as tropas dos caldeus, as tropas dos sírios, as tropas dos moabitas e as tropas dos filhos de Amom" 2Rs 24.2.

Então Jeoiaquim morreu, e o filho assumiu o trono. Era Joaquim, também chamado de Jeconias ou Conias, e tinha dezoito anos 2Rs 24.8. Reinou três meses. Em Babilônia, Nabucodonosor tinha reunido o exército, e a crônica anota, sem enfeite:

No sétimo ano, no mês de kislimu, o rei de Acádia reuniu seu exército, marchou para a terra de Hatti e cercou a cidade de Judá. No segundo dia do mês de adar, tomou a cidade e capturou o rei. Nomeou ali um rei de sua escolha, recebeu um pesado tributo e o mandou para a Babilônia. (Crônica de Nabucodonosor, BM 21946; paráfrase minha.)

É o mesmo acontecimento que a Bíblia descreve:

"Naquele tempo subiram os servos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém; e a cidade foi cercada. Também veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, contra a cidade, quando já os seus servos a estavam sitiando. Então saiu Joaquim, rei de Judá, ao rei de Babilônia, ele, sua mãe, seus servos, seus príncipes e seus oficiais; e o rei de Babilônia o tomou preso, no ano oitavo do seu reinado. E tirou dali todos os tesouros da casa do Senhor e os tesouros da casa do rei; e partiu todos os vasos de ouro, que fizera Salomão, rei de Israel, no templo do Senhor, como o Senhor tinha falado. E transportou a toda a Jerusalém como também a todos os príncipes, e a todos os homens valorosos, dez mil presos, e a todos os artífices e ferreiros; ninguém ficou senão o povo pobre da terra. Assim transportou Joaquim à Babilônia; como também a mãe do rei, as mulheres do rei, os seus oficiais e os poderosos da terra levou presos de Jerusalém à Babilônia. E todos os homens valentes, até sete mil, e artífices e ferreiros até mil, e todos os homens destros na guerra, a estes o rei de Babilônia levou presos para Babilônia. E o rei de Babilônia estabeleceu a Matanias, seu tio, rei em seu lugar; e lhe mudou o nome para Zedequias." 2 Reis 24.10-17

O dia 2 de adar corresponde a meados de março de 597 a.C. Aqui, a Bíblia e a crônica contam a mesma cena de dois ângulos, e se completam: a crônica dá o dia e o resultado político, a Bíblia dá os nomes e as pessoas. A pequena diferença na contagem do reinado ("no ano oitavo do seu reinado", segundo Reis; sétimo ano, segundo a crônica) costuma ser explicada pelo modo diferente de contar os anos.

Os números do cativeiro trazem outro problema. Reis fala em "dez mil presos" 2Rs 24.14 e depois em "sete mil" homens valentes e "mil" artífices 2Rs 24.16. Jeremias 52.28 diz que, no sétimo ano, foram "três mil e vinte e três judeus". As cifras são diferentes, e os estudiosos as explicam de modos diversos: umas contam famílias, outras só homens; umas arredondam; outras listam levas diferentes. Nenhuma explicação é definitiva. O que os textos mostram é que levaram a elite: o rei, a rainha-mãe, os oficiais, os guerreiros e os artesãos, e "ninguém ficou senão o povo pobre da terra" 2Rs 24.14.

Entre os levados estava um sacerdote chamado Ezequiel, que alguns anos depois recebeu um chamado no meio dos cativos, "no quinto ano do cativeiro do rei Jeoiaquim" Ez 1.2 (o rei é Joaquim, ou Jeconias; a ACF usa aqui a outra grafia). E o rei que ficou? Nabucodonosor escolheu o tio de Joaquim, Matanias, e "lhe mudou o nome para Zedequias" 2Rs 24.17. Mudar o nome era um modo de dizer: eu mando em você.

🔎 A palavra original

Jeremias dá a Nabucodonosor um título espantoso: "Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo" Jr 27.6. A palavra hebraica é 'avdi (עַבְדִּי), "meu servo", a mesma que a Bíblia usa para Moisés, Davi e Isaías. Ela não diz que Nabucodonosor adorava o Senhor. Diz que o Senhor o usava, e que a história inteira, inclusive a dos impérios pagãos, está na mão dele. Isso ajuda a entender por que Jeremias aconselha Judá a se submeter, em vez de se rebelar.

Um título em Jeremias 39 também merece nota. Nebuzaradã é "capitão da guarda" Jr 39.13. O hebraico é rav-tabbachim (רַב־טַבָּחִים), literalmente "chefe dos açougueiros" ou "dos cozinheiros do rei", que passou a designar o comandante da guarda real.

19 — O TERCEIRO GOLPEZedequias, o cerco e o templo em chamas (588–586 a.C.)

Zedequias começou como um rei jurado. Segundo as Crônicas, Nabucodonosor "o tinha ajuramentado por Deus" 2Cr 36.13. Mas anos depois ele se rebelou. Ezequiel, entre os exilados, conta uma parábola de duas águias para dizer exatamente isso: o rei quebrou o juramento e foi buscar ajuda no Egito Ez 17.12-15. Em Jerusalém, havia a esperança no Egito e havia profetas como Hananias, que prometia, em nome do Senhor, que em dois anos o jugo de Babilônia estaria quebrado Jr 28.2-4.

A resposta de Babilônia veio no décimo mês do nono ano de Zedequias:

"E sucedeu que, no nono ano do seu reinado, no mês décimo, aos dez do mês, Nabucodonosor, rei de Babilônia, veio contra Jerusalém, ele e todo o seu exército, e se acampou contra ela, e levantaram contra ela trincheiras em redor. E a cidade foi sitiada até ao undécimo ano do rei Zedequias. Aos nove do mês quarto, quando a cidade se via apertada pela fome, nem havia pão para o povo da terra, Então a cidade foi invadida, e todos os homens de guerra fugiram de noite pelo caminho da porta, entre os dois muros que estavam junto ao jardim do rei (porque os caldeus estavam contra a cidade em redor), e o rei se foi pelo caminho da campina. Porém o exército dos caldeus perseguiu o rei, e o alcançou nas campinas de Jericó; e todo o seu exército se dispersou. E tomaram o rei, e o fizeram subir ao rei de Babilônia, a Ribla; e foi-lhe pronunciada a sentença. E aos filhos de Zedequias mataram diante dos seus olhos; e vazaram os olhos de Zedequias, e o ataram com duas cadeias de bronze, e o levaram a Babilônia." 2 Reis 25.1-7

O texto indica um cerco de uns dezoito meses, do décimo mês do nono ano ao quarto mês do ano undécimo de Zedequias. Em datas modernas, começa em janeiro de 588 a.C. e termina no verão de 586, ou de 587, conforme o calendário que se usa (veremos adiante). Jeremias, preso por dizer que a cidade cairia, foi baixado com cordas a uma cisterna sem água, só com lama Jr 38.6, e depois içado. Em certo momento, um exército egípcio apareceu, e "os caldeus, que tinham sitiado Jerusalém, ouviram esta notícia, retiraram-se" Jr 37.5. A trégua durou pouco.

No nono dia do quarto mês, a muralha foi rompida, e o rei fugiu de noite. Foi apanhado perto de Jericó e levado a Nabucodonosor, que estava em Ribla, na terra de Hamate 2Rs 25.20-21. Ali, os filhos do rei morreram diante dele, e ele foi cegado. A última coisa que Zedequias viu foi a morte dos filhos. Anos antes, Ezequiel tinha dito uma frase que parecia enigma: o rei seria levado a Babilônia, "e contudo não a verá, ainda que ali morrerá" Ez 12.13. Agora o enigma estava explicado.

Um mês depois, chegou o homem que destruiria a cidade. Segundo Reis, "no quinto mês, no sétimo dia do mês" veio Nebuzaradã a Jerusalém 2Rs 25.8; segundo Jeremias, foi "no décimo dia" Jr 52.12. Uma explicação comum é que ele chegou no dia 7 e o fogo foi ateado no dia 10. O fogo não poupou nada:

"E no quinto mês, no sétimo dia do mês (este era o ano décimo nono de Nabucodonosor, rei de Babilônia), veio Nebuzaradã, capitão da guarda, servo do rei de Babilônia, a Jerusalém. E queimou a casa do Senhor e a casa do rei, como também todas as casas de Jerusalém, e todas as casas dos grandes queimou. E todo o exército dos caldeus, que estava com o capitão da guarda, derrubou os muros em redor de Jerusalém. E o mais do povo que deixaram ficar na cidade, os rebeldes que se renderam ao rei de Babilônia e o mais da multidão, Nebuzaradã, o capitão da guarda, levou presos. Porém dos mais pobres da terra deixou o capitão da guarda ficar alguns para vinheiros e para lavradores." 2 Reis 25.8-12

Foi o fim do Templo de Salomão e do reino de Davi. As colunas de bronze, o "mar" de bronze e as bacias foram desmontados e levados como metal 2Rs 25.13-17. Só ficaram os mais pobres, para cuidar das vinhas e dos campos Jr 52.16. Os babilônios não eliminavam o país: tiravam dele quem comandava e deixavam quem produzia. O governador Gedalias, em Mispá, tentou governar o que sobrou, até ser assassinado 2Rs 25.22-26.

🏺 O que a pá encontrou

As cartas de Laquis. Em 1935, o inglês James Starkey, escavando Laquis (Tell ed-Duweir), achou entre as ruínas da cidade destruída uns cacos de vaso com tinta preta: cartas em hebraico, escritas por oficiais militares pouco antes da queda. A carta IV diz, em tradução minha: "Estamos vigiando os sinais de fogo de Laquis, conforme todos os sinais que meu senhor deu, pois não vemos Azeca." Jeremias 34.7 conta que Laquis e Azeca eram as cidades fortes que restavam de Judá. Boa parte das cartas está no Museu Britânico.

Os nomes dos oficiais. Jeremias 39.3 lista os príncipes de Babilônia que entraram na cidade. Em 2007, o assiriólogo Michael Jursa, da Universidade de Viena, notou numa tabuinha do Museu Britânico, achada em Sippar no século XIX, um nome conhecido: Nabu-sharrussu-ukin, o "chefe dos eunucos". A tabuinha registra a entrega de uma mina e meia de ouro dele ao Esagila, o templo de Marduque, no décimo ano de Nabucodonosor (c. 595 a.C.). É o Nebo-Sarsequim, Rabe-Saris de Jeremias 39.3, que a ACF divide em "Sangar-Nebo, Sarsequim, Rabe-Saris". O achado reforça a leitura que muitas traduções modernas fazem: "Nergal-Sarezer, Samgar, Nebo-Sarsequim, o Rabe-Saris".

Selos de Jerusalém. Em 2005 e 2008, a arqueóloga Eilat Mazar achou na Cidade de Davi duas pequenas bulas (selos de argila): uma de "Jucal, filho de Selemias", e outra de "Gedalias, filho de Pasur", dois nomes que aparecem juntos em Jeremias 38.1, entre os príncipes que pediram a morte do profeta. Foram achadas em entulho da destruição do tempo da queda.

⚠️ Os nomes das cartas e dos selos eram comuns, e a identificação com as pessoas da Bíblia é provável, mas nem todos os estudiosos a aceitam sem reserva, sobretudo no caso das bulas. O que os achados provam é o quadro: cartas de oficiais em tempo de cerco, um funcionário babilônico com o nome e o título que a Bíblia dá, camadas de incêndio. O que eles não provam é a leitura teológica dos fatos, que a Bíblia faz e a arqueologia não faz.

👁️ Como era viver ali

O caminho para o exílio era a pé, por estradas de mais de mil quilômetros. Quando Esdras fez o caminho de volta, em caravana, levou quatro meses Ed 7.9. Quem ia à força, em fila, com pouca comida, ia por mais tempo, e deixava para trás a casa, a terra e, para muitos, a esperança de voltar. Em Babilônia, os cativos foram assentados em povoados e empregados no campo e nas obras do rei (veja o Capítulo 7). Levaram também uma saudade que chegou a virar salmo.

20 — A CONTA DAS LEVASQuantas deportações houve? E em que ano caiu Jerusalém?

Costuma-se falar em três deportações, mas há dois modos de contá-las.

Contagem 1: 605 a.C. (Daniel e outros jovens de linhagem nobre), 597 a.C. (Jeconias e a elite) e 586 a.C. (a cidade). É a que aparece nos livros de estudo e a que une Daniel, Reis e Jeremias.

Contagem 2: a de Jeremias 52.28-30, que lista três levas com números: 3.023 pessoas no sétimo ano de Nabucodonosor, 832 no décimo oitavo e 745 no vigésimo terceiro, num total de "quatro mil e seiscentas" Jr 52.30. Os anos 7, 18 e 23 de Nabucodonosor são c. 597, 586 e 582 a.C. Esse resumo não cita a de 605 e não inclui os "dez mil" de Reis, talvez porque conta só um tipo de gente (adultos, ou famílias de Judá). Muitos estudiosos veem nas duas listas recortes diferentes, e não erro de ninguém.

E o ano da queda? A maioria dos estudiosos escreve 586 a.C., e alguns preferem 587 a.C. A diferença vem do calendário: o ano de Judá podia começar no outono ou na primavera, e o ano do rei podia ser contado com ou sem o "ano de subida ao trono". A crônica de Nabucodonosor, para os anos depois de 594 a.C. (inclusive o cerco de Jerusalém), não chegou até nós, de modo que a data tem de ser calculada a partir dos textos bíblicos. Uso 586 neste livro.

605 a.C. — Nabucodonosor, rei
Carquemis e a subida ao trono. 📖 Daniel e alguns jovens nobres vão para Babilônia (Dn 1.1-4); parte dos vasos do templo também (2Cr 36.7).
604 a.C. — Ascalão e o rolo
A cidade filisteia é destruída em kislimu, o nono mês. 📖 No nono mês, Jeoiaquim queima o rolo de Jeremias (Jr 36).
c. 604–601 a.C. — "Três anos seu servo"
📖 Judá paga tributo a Babilônia (2Rs 24.1). Em 601, a campanha contra o Egito sai cara aos dois lados.
c. 601–598 a.C. — Revolta
📖 Jeoiaquim se rebela. Bandos de caldeus, sírios, moabitas e amonitas atacam Judá (2Rs 24.2).
597 a.C. — A cidade de Judá
📖 Jeconias se entrega, e 10.000 são levados (2Rs 24.10-17); Ezequiel entre eles. A crônica dá o dia: 2 de adar.
597–588 a.C. — Zedequias
📖 O tio de Jeconias reina; Jeremias escreve aos exilados (Jr 29) e discute com falsos profetas (Jr 27–28). Por fim, Zedequias se rebela.
c. 588 a.C. — O cerco
📖 Décimo mês do nono ano de Zedequias (2Rs 25.1). Laquis e Azeca são as últimas cidades fortes (Jr 34.7).
586 a.C. (587 para alguns) — A brecha
📖 Nono dia do quarto mês (2Rs 25.3-4). Zedequias é cegado em Ribla.
No mês seguinte — O templo
📖 Nebuzaradã queima a casa do Senhor, o palácio e as casas (2Rs 25.8-9).
Depois da queda — Gedalias
📖 O governador em Mispá é assassinado, e parte do povo foge para o Egito (2Rs 25.22-26; Jr 40–43).
c. 582 a.C. — A terceira leva de Jeremias 52
📖 Setecentas e quarenta e cinco pessoas levadas no ano 23 de Nabucodonosor (Jr 52.30).

PARA FIXARO que ficou do capítulo

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O rolo e Ascalão

No nono mês de 604 a.C., Jeoiaquim queima o rolo Jr 36.23, e Babilônia queima Ascalão. A crônica e a pá confirmam a segunda.

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"A cidade de Judá"

A crônica babilônica registra a queda de Jerusalém em 597: 2 de adar. Concorda com 2 Reis 24.

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Cerco, brecha, templo

Um cerco de uns dezoito meses, a brecha no dia 9 do quarto mês e o fogo no quinto 2Rs 25.1-9. As cartas de Laquis mostram os oficiais no limite.

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Duas contagens

605-597-586, ou 597-586-582 com 4.600 pessoas Jr 52.30. E Jerusalém cai em 586, ou 587 para alguns.

Próximo capítulo: o exílio. A carta de Jeremias aos cativos, Ezequiel junto ao rio Quebar, o Salmo 137, as Lamentações e um rei de Judá libertado da prisão.

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