SOBRE ESTE LIVROA Assíria da Bíblia, em poucos minutos
Jerusalém, 701 a.C. Do alto do muro, o povo escuta um oficial estrangeiro gritar, na língua de Judá, uma ordem de rendição.
É a cena mais famosa da Assíria na Bíblia, e é só uma parte da história. Antes dela há mais de mil anos de uma cidade ao pé do Tigre e quase dois séculos de reis que cobraram tributo de Israel e de Judá. Depois dela vêm um profeta que descreve a queda de Nínive e uma visão em que a Assíria recebe uma bênção. Este livro conta tudo isso: quem eram os assírios, no que acreditavam, cada vez que eles cruzaram o caminho do povo de Deus e o que a pá dos arqueólogos tirou do chão. Se você ler só esta página, já sai com o essencial.
Quem eram. A Assíria nasceu no norte do Iraque de hoje, às margens do Tigre. Era uma terra de chuva, sem fronteiras naturais, e os reis mudaram de capital várias vezes: Assur, Calá, Dur-Sharrukin e Nínive. Falavam acádio e escreviam com cunhas em argila. Nos anais reais, o rei contava as próprias guerras em primeira pessoa, sempre com vitória. A Bíblia só encontra a parte final dessa história, de c. 841 a 609 a.C., quando a Assíria foi o maior império do mundo.
No que acreditavam. O deus principal se chamava Assur, como a cidade e como o país. O rei não era um deus, ao contrário do Faraó do Egito: era o sacerdote e o delegado dele, e as campanhas saíam "por ordem de Assur". O terror (empalar, esfolar, deportar populações inteiras) fazia parte do método, e os estudiosos discutem quanto disso é fato e quanto é propaganda para assustar. A resposta da Bíblia está em Isaías 10: a Assíria é a "vara da minha ira", e a vara tem dono Is 10.5,15.
Cada vez que cruzam a Bíblia. Jeú, rei de Israel, aparece curvado no Obelisco Negro de Salmaneser III, um tributo que a Bíblia não conta. Jonas prega em Nínive, e a cidade se veste de saco. Menaém paga mil talentos de prata a Pul, que é Tiglate-Pileser III 2Rs 15.19. Pecá perde a Galileia, e Acaz manda dizer ao rei assírio: "Eu sou teu servo e teu filho" 2Rs 16.7. Samaria cai depois de três anos de cerco 2Rs 17.5-6. Em 701, Senaqueribe toma as cidades fortificadas de Judá, e Ezequias abre uma carta diante de Deus no templo 2Rs 19.14. Manassés reina 55 anos como vassal. E, em poucos anos, Nínive cai, como Naum e Sofonias tinham dito Na 3.19.
O que a pá encontrou. A arqueologia confirma muita coisa e cala em outras, e este livro diz sempre qual é qual. Há o Obelisco Negro, com Jeú; o Prisma de Taylor, em que Senaqueribe diz ter fechado Ezequias em Jerusalém "como um pássaro na gaiola"; os relevos de Laquis; o túnel de Siloé, com a inscrição dos cavadores; a bula de Ezequias; o tratado de Esar-Hadom; e a biblioteca de Assurbanípal, onde apareceu um relato do dilúvio parecido com o de Gênesis. Mas nenhum texto assírio fala de Jonas, nem do anjo, nem da carta no templo. E há debates honestos sobre as datas: quem tomou Samaria, se Senaqueribe veio uma vez ou duas, quando Ezequias subiu ao trono. O livro mostra as posições e não fecha o que as fontes não fecham.
Como isso muda sua leitura. Você vai reconhecer, no "grande rei" do Rabsaqué, o título oficial do rei assírio. Vai ouvir, no "com a força da minha mão o fiz" de Isaías 10, o tom dos anais. Vai ler o "Pequei" de Ezequias como a fala de um vassal, e a pergunta que fecha o livro de Jonas como uma pergunta sobre inimigos. E vai ver que a Bíblia deixa a última palavra com Deus: o império que Isaías chamou de vara é, em Isaías 19.25, "obra de minhas mãos".
ANTES DE COMEÇARO mapa para não se perder
Na Almeida Corrigida Fiel, 147 versículos falam da Assíria, de Nínive ou dos ninivitas. É o império que destruiu o reino de Israel e devastou Judá, o inimigo que a Bíblia chama de "vara da minha ira" e, em outro lugar, de "obra de minhas mãos". Antes de entrar nas cenas, fixe estes seis cartões.
Onde
No norte do atual Iraque, junto ao rio Tigre (onde hoje estão Mosul e Erbil). Era uma terra de chuva, plana e sem fronteiras naturais, cercada de montanhas e de rivais.
Quando
A Assíria dura mais de mil anos, mas a Bíblia só a encontra entre c. 841 a.C. (Jeú) e 609 a.C. (o fim do Estado assírio, com Josias morrendo em Megido).
Por que importa na Bíblia
É o império que destrói o reino do norte (Israel), cerca Jerusalém e deporta um povo inteiro. Por causa dela, Isaías, Oseias, Miqueias, Naum e Sofonias falam como falam.
O momento mais famoso
O cerco de Jerusalém, em 701 a.C.: o discurso do Rabsaqué, a carta aberta no templo e a noite em que o exército assírio deixou de ser ameaça 2Rs 18–19.
Reis com nome
A Bíblia nomeia Pul (Tiglate-Pileser III), Salmaneser, Sargão, Senaqueribe e Esar-Hadom, e talvez Asnapar (Assurbanípal). Jeú, Acaz, Ezequias e Manassés também aparecem em textos assírios.
A prova fora da Bíblia
O Obelisco Negro mostra Jeú de Israel curvado diante de Salmaneser III. No Prisma de Taylor, Senaqueribe diz ter fechado Ezequias em Jerusalém "como um pássaro na gaiola".
O hebraico escreve "Assíria", "assírio" e o nome do país com uma só palavra, ʼAššûr (אַשּׁוּר). Em acádio, a língua deles, Aššur era ao mesmo tempo a cidade, o país e o deus principal. E o rei que a Bíblia chama de "Pul" 2Rs 15.19 é o mesmo que ela chama de Tiglate-Pileser 2Rs 15.29: dois nomes, um só rei.
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