
Naamã é o general mais condecorado da Síria — e debaixo da armadura, a pele o está traindo. Lepra. Quem aponta a saída não é um conselheiro do rei: é uma menina israelita, capturada numa incursão, serva da esposa dele. A menor personagem da história abre a porta do milagre do patrão que a escravizou.
O general viaja com carruagens, prata, ouro e cartas reais. O profeta nem sai pra recebê-lo. Manda um recado: mergulha sete vezes no Jordão.
Naamã explode. "Não são os rios de Damasco melhores do que todas as águas de Israel?" E eram — o Abana e o Farpar desciam límpidos das montanhas; o Jordão era estreito e barrento. O general queria um milagre à altura do seu posto: gesto solene, mão sobre a ferida, cerimônia.
Foram os servos que o convenceram a descer ao rio feio. Na sétima vez, a pele voltou "como a carne de um menino".