
Todo general que entrava numa cidade conquistada sabia o protocolo: cavalo de guerra, cortejo, demonstração de força. Jerusalém conhecia o desfile de Roma. E o profeta Zacarias tinha prometido algo fora do padrão: "Eis que o teu rei virá a ti... montado num jumentinho" — o animal de carga do pobre, o bicho da paz.
Jesus organiza a entrada com precisão: manda buscar um jumentinho "sobre o qual ninguém jamais montou" — no costume da época, animal nunca usado era o reservado pra propósito sagrado. E emprestado, ainda por cima: "o Senhor precisa dele, e logo o devolverá."
O único Rei da história com direito legítimo ao cavalo de guerra escolheu entrar na capital sobre um animal de paz — sem exército, sem lança, com capas de pobre estendidas no chão e crianças gritando hosana.