
O homem que subiu ao terceiro céu tem algo cravado na carne. Paulo chama de skólops — que no grego não é o espinhinho de roseira: é a ESTACA pontiaguda, madeira afiada de paliçada. Ninguém sabe o que era — doença, perseguição, fraqueza — e o mistério é proposital: cada leitor reconhece a própria estaca.
Três vezes ele pediu que fosse tirada. Três — o mesmo número de orações de Jesus no Getsêmani pedindo que o cálice passasse.
A resposta não foi a remoção. Foi uma frase: "A minha graça te BASTA, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza."
E o homem mais produtivo do cristianismo reorganizou a vida inteira em torno dessa resposta: "de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo".