
Ela anda na direção do Egito com a roupa do corpo e um filho na barriga. Agar não é esposa: é propriedade. Foi usada pra gerar o herdeiro de outra, humilhada pela dona, e fugiu pro deserto — e o detalhe mais cruel da história é o que NÃO aconteceu: ninguém foi atrás dela.
É junto a uma fonte, no meio do nada, que alguém finalmente fala com ela. E faz a pergunta que ninguém tinha feito: "Agar, de onde vens? Para onde vais?" — chamando pelo nome a mulher que na casa de Abrão era chamada de "minha serva".
A resposta dela entrou pra história: Agar dá um nome a Deus — El Roi, "o Deus que me vê". Não foi um profeta, um rei ou um sacerdote. De todas as pessoas da Bíblia, quem aparece nomeando Deus é uma escrava egípcia grávida e descartada.