Corrupção, dinheiro público e o salário de quem trabalha
Redação Bíblia Strong ·A Bíblia não usa a expressão “dinheiro público”, mas trata como pecado grave tudo o que está por trás dela: pegar o que não é seu, vender decisão por suborno, usar o cargo para enriquecer e segurar o salário de quem trabalha. E diz que Deus vê e ouve.
Comece pelo salário. “A paga do diarista não ficará contigo até pela manhã” (Lv 19:13). Está no mesmo verso que proíbe oprimir e roubar o próximo, como se segurar pagamento fosse uma forma de roubo. Deuteronômio 24:15 repete: “No seu dia lhe pagarás a sua diária, e o sol não se porá sobre isso; porquanto pobre é, e sua vida depende disso”. A razão é simples: o dinheiro do dia é a comida do dia. Tiago 5:4 mostra que Deus ouve quem não foi pago: “Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama”. E Jeremias 22:13 pronuncia um “Ai” sobre quem “se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário do seu trabalho”.
Agora o cargo. Quem decide algo em nome de muita gente tem uma dívida maior. “Também suborno não tomarás; porque o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos” (Êx 23:8). Isaías descreve uma cidade onde os governantes eram “companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão” (Is 1:23). “Peitas” são subornos. Veja o efeito: quando o dinheiro manda, o órfão e a viúva não são ouvidos. Provérbios 15:27 diz: “O que agir com avareza perturba a sua casa”.
O Novo Testamento traz exemplos de gente que lidava com dinheiro alheio. Publicanos cobravam impostos, e soldados recebiam soldo. Quando eles perguntaram a João Batista o que fazer, ele não mandou largar o ofício. Disse aos publicanos: “Não peçais mais do que o que vos está ordenado”. E aos soldados: “A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo” (Lc 3:13-14). Ou seja: cobrar só o que é devido, não maltratar ninguém, viver do que é seu.
Depois, Zaqueu. Ele era “chefe dos publicanos, e era rico” (Lc 19:2). Ao encontrar Jesus, diz: “eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado” (Lc 19:8). E Jesus responde: “Hoje veio a salvação a esta casa” (Lc 19:9). Zaqueu não ficou só pedindo perdão. Devolveu, e devolveu com sobra.
Isso não é licença para ninguém desobedecer ao governo. Paulo manda pagar: “a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto” (Rm 13:7). Pagar o que se deve e esperar que quem tem poder use o dinheiro com justiça caminham juntos.
Se você é quem paga e se revolta, a Bíblia não finge que a injustiça não existe. Eclesiastes 5:8 reconhece a opressão e lembra que “quem está altamente colocado tem superior que o vigia; e há mais altos do que eles”. Ninguém está fora da vista de Deus. Se você é quem lida com dinheiro de outros, no trabalho ou na igreja, a pergunta de Zaqueu serve: devo algo a alguém?