ATENÇÃO — ANTES DE TUDOMatias não é Mateus
Essa é a confusão mais comum. Os nomes são parecidos — Matias, Mateus — mas são duas pessoas completamente diferentes, com histórias completamente diferentes.
Mateus (em grego, Matthaîos) era o publicano, o cobrador de impostos de Cafarnaum que Jesus chamou diretamente do posto de cobrança Mt 9.9. Mateus escreveu o primeiro Evangelho. Ele estava entre os doze originais.
Matias (em grego, Maththías) não aparece em nenhuma das listas dos doze durante o ministério de Jesus. Ele só entra no palco depois da morte e ressurreição de Jesus, quando Pedro propõe completar o número dos apóstolos que havia ficado em onze após a traição e morte de Judas Iscariotes. A única vez que o nome Matias aparece em toda a Bíblia é em Atos 1.23 e 1.26.
Nomes parecidos, épocas diferentes na narrativa, funções diferentes, pessoas diferentes. Dito isso — vamos mergulhar no único episódio onde Matias aparece, e tirar de lá tudo o que há para tirar.
01 — O INTERVALO ENTRE A ASCENSÃO E O PENTECOSTESQuarenta dias + dez dias de espera
Jesus havia ressuscitado. Durante quarenta dias, apareceu várias vezes aos discípulos, falou do Reino de Deus, e então foi recebido em cima, numa nuvem, diante dos olhos deles At 1.3–9. Dois anjos aparecem e prometem a volta — e os discípulos voltam a Jerusalém.
O que acontece depois é um intervalo raro na Bíblia: dez dias de espera. Jesus tinha mandado que ficassem na cidade até receber o que o Pai prometera At 1.4. Não tinha instrução para agir — era tempo de orar, aguardar, ficar.
Lucas descreve a cena: eles subiram ao cenáculo (o andar de cima, provavelmente o mesmo aposento da Última Ceia) e perseveravam "unanimemente em oração" — com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus At 1.13–14. E o número desse grupo era de cento e vinte pessoas.
Matias estava nesse cenáculo. Estava entre as cento e vinte pessoas. Mas até esse momento, a Bíblia nunca cita o nome dele. Ele era parte do grupo que seguia Jesus — o grupo maior que os doze, os discípulos que acompanhavam o Mestre sem estarem no time oficial. Por três anos. Sem título. Sem destaque. Simplesmente lá, orando, na sala de cima, esperando. Há algo profundamente bonito nisso.
02 — PEDRO SE LEVANTAA liderança na ausência do Líder
Nesse ambiente de espera e oração, Pedro toma a iniciativa. Ele se levanta diante das cento e vinte pessoas e faz um discurso. É significativo: Pedro, o homem que havia negado Jesus três vezes, agora lidera a comunidade no intervalo mais delicado — entre a Ascensão e a chegada do Espírito. Ele já havia sido restaurado Jo 21.15–17 e a ordem era cumprida: "quando te converteres, fortalece os teus irmãos" Lc 22.32.
Pedro abre com as Escrituras. Cita o Salmo 69.25 e o Salmo 109.8 para mostrar que a traição de Judas e a necessidade de um substituto haviam sido anunciadas pela profecia At 1.16–20. Aqui Pedro não improvisa — ele interpreta a Bíblia, conecta o passado ao presente, e dá à comunidade uma âncora teológica no meio da incerteza.
Pedro usa a palavra episkopḗn (de At 1.20, citando o Sl 109.8): "tome outro o seu bispado" — ou, em outras traduções, "o seu cargo", "o seu ministério". A palavra episkopḗ é a raiz de "episcopado" e "bispo". Não é título pomposo aqui — é função de supervisão, de cuidado. O posto deixado por Judas era uma responsabilidade de serviço, não de honra. Isso já diz algo sobre o que Matias estava prestes a herdar.
03 — O CRITÉRIO DE PEDROO que fazia alguém qualificado para ser apóstolo
Aqui está o coração de toda a passagem. Antes de propor qualquer nome, Pedro define o que significa ser apóstolo — e a definição é precisa e exigente:
Dois requisitos, nenhum negociável:
1. Ter acompanhado Jesus "todo o tempo" — desde o batismo de João até a Ascensão. Não era só ter visto algum milagre, ter ouvido algum sermão. Era ter estado ali no começo, no meio e no fim. Era conhecimento de primeira mão, de convivência contínua, do ministério inteiro.
2. Ser testemunha da ressurreição. Este era o núcleo. O apóstolo tinha de poder declarar, de viva voz e por experiência pessoal: "eu vi Jesus vivo depois que morreu." Isso distinguia o apóstolo de qualquer outro líder ou pregador — não era função delegável por educação ou vocação, era ligada a uma experiência histórica irrepetível.
O verbo que Pedro usa em "nos acompanharam" é synelthóntōn — de synérchomai, "caminhar junto", "vir com". Não é só "estar por perto" — é convivência ativa, caminhar junto no mesmo movimento. Já a expressão "testemunha" vem de mártys — a mesma raiz de "mártir". Em grego, testemunha e mártir são a mesma palavra: quem testemunha com a vida o que viu com os olhos. Matias ia herdar essa palavra — em todos os sentidos dela.
O que esse critério revela sobre Matias é enorme: ele esteve lá o tempo todo. Desde o batismo de João no Jordão — aquele momento inaugural quando o céu se abriu e a voz disse "Este é o meu Filho amado" — até a cena da Ascensão no Monte das Oliveiras. Três anos e alguns meses. Matias viu os milagres. Ouviu os sermões. Esteve presente nas refeições, nas travessias de barco, nos momentos de retiro. E nunca foi um dos doze. Nunca teve o holofote. Nunca foi chamado pelo nome pelos Evangelhos. Simplesmente seguiu. Fiel. Anônimo. Por três anos.
"A fidelidade no anonimato que de repente é promovida." Matias serviu por três anos sem cargo, sem título, sem destaque. Ninguém escreveu sobre ele. Nenhum Evangelho registrou uma fala dele, uma dúvida, uma ação. Ele era do grupo dos seguidores — os que acompanhavam além dos doze. E foi exatamente essa fidelidade silenciosa, esse "ter estado lá o tempo todo", que o qualificou para o que veio. O critério de Deus para a promoção costuma ser a constância no que ninguém vê. O que você está fazendo fielmente agora, sem audiência, pode ser o mesmo que te qualifica para o que vem a seguir.
04 — DOIS NOMES, UMA VAGAJosé Barsabás Justo e Matias
A comunidade propõe dois candidatos que preenchem o critério:
José, chamado Barsabás, cognominado Justo — e Matias At 1.23.
São as únicas informações que a Bíblia dá sobre eles nesse ponto. José tem três nomes: o nome de nascimento (José), um cognome aramaico (Barsabás) e um apelido latino (Justo, provavelmente por ser rigoroso no cumprimento da lei). Matias tem um nome e nenhum outro detalhe. Ambos estavam qualificados. Ambos tinham feito o mesmo caminho. E agora estavam lado a lado — candidatos à mesma vaga.
O nome Maththías em grego é uma forma reduzida de Mattithyáh — em hebraico, "dom de Yahweh". É o mesmo nome de Matatias, o sacerdote pai dos Macabeus — um nome com história, carregado de significado de fidelidade a Deus em tempos de crise. Já Barsabbâs é aramaico: "Bar" (filho) + "Sabbâ" (que pode significar "do sábado" ou ser um nome próprio paterno). Ioûstos é simplesmente o latim "Justus" — justo. Três línguas, dois homens, um posto.
Pense na experiência de José Barsabás Justo. Igualmente qualificado. Igualmente fiel. Igualmente testemunha da ressurreição. Seu nome foi colocado ao lado de Matias — e não saiu. A sorte caiu no outro. A Bíblia não registra uma reação dele. Nenhuma palavra de mágoa, nenhum afastamento da comunidade. Ele simplesmente... some da história. E o nome que ele carregava — "Justo" — talvez seja a única pista de como era o seu caráter: o homem justo que aceitou não ser escolhido sem reclamar. Há um sermão inteiro só na história de José Barsabás — o não-escolhido que serviu até o fim mesmo sem o cargo.
05 — A ORAÇÃO ANTES DO SORTEIO"Tu que conheces os corações"
Antes de lançar as sortes, os discípulos oram. E a oração deles é precisa — não pedem sucesso, não pedem clareza de mente, não pedem unanimidade de votos. Eles invocam o único que sabe o que eles não sabem:
A frase "que conheces os corações de todos" — em grego, kardioğnōsta, literalmente "o que conhece os corações" — aparece apenas duas vezes no Novo Testamento: aqui e em Atos 15.8. É um título exclusivo de Deus. A oração reconhece o limite humano: nós sabemos quem está qualificado por fora; só tu sabes quem está qualificado por dentro.
A palavra kardiognṓstēs — "conhecedor dos corações" — é um composto de kardía (coração) e gnōstḗs (conhecedor, de ginṓskō, conhecer). É um título que os discípulos não inventaram — eles estavam reconhecendo uma verdade teológica: o critério externo (ter estado lá, ter visto a ressurreição) eles podiam verificar. O critério interno (o coração, a vocação, a graça para o cargo) só Deus via. E eles não tentaram adivinhar isso — pediram que Deus mostrasse.
"Homem vê o exterior, Deus vê o coração" — essa é a mesma fórmula de 1 Samuel 16.7, quando Deus escolhe Davi em vez de seus irmãos mais altos e mais bonitos. A comunidade de Atos 1 pratica isso: eles levam a decisão até o ponto onde podem chegar com discernimento humano, e então param e oram. Não é passividade — é humildade epistemológica. Quando você não tem como saber o coração de ninguém, é hora de parar de adivinhar e começar a orar.
06 — O LANÇAMENTO DE SORTESA última vez que a Bíblia registra esse método
Após a oração, a comunidade lança sortes — e a sorte cai sobre Matias, que é contado com os onze apóstolos At 1.26.
Como funcionava o lançamento de sortes? O texto não descreve o método em detalhe, mas pela cultura judaica do Antigo Testamento, os "lotes" (gôrāl em hebraico) podiam ser pedras, pedaços de madeira ou outros objetos marcados que eram lançados ou tirados de uma urna. O processo era considerado uma forma legítima de buscar a vontade de Deus — citado no livro de Provérbios: "O lote se lança no colo, mas do Senhor procede toda a decisão" Pv 16.33. No Antigo Testamento, as sortes eram usadas para dividir a terra de Canaã entre as tribos, para descobrir o responsável por uma falta (o caso de Acã, o caso de Jonas), e para designar funções no templo (Zacarias, pai de João Batista, foi designado pelo lote Lc 1.9).
Mas aqui está algo extraordinário que muitos pregadores deixam passar: este é o último lançamento de sortes registrado em toda a Bíblia. Depois de Atos 1, a prática não aparece mais. Nem no restante de Atos, nem nas cartas, nem no Apocalipse. Após o Pentecostes de Atos 2, o que guia a igreja nas decisões difíceis é o Espírito Santo — às vezes por profecia At 13.2, às vezes por visão At 16.9, às vezes por consenso dos líderes com oração At 15.28. O método muda porque o Guia chega.
"A última sorte — e o que veio depois." Atos 1 é a transição entre dois eras: a era do Antigo Pacto, onde o povo buscava a vontade de Deus por meios externos (lotes, Urim e Tumim, profecias escritas), e a era do Novo Pacto, onde o próprio Espírito de Deus habita o crente e o guia de dentro para fora. O Espírito Santo não é um upgrade do sorteio — é uma presença pessoal. A diferença entre lançar um lote e ouvir o Espírito é a diferença entre consultar um oráculo e falar com um amigo. Pentecostes muda tudo — inclusive o método de escuta.
07 — "FOI CONTADO COM OS ONZE"E depois? O silêncio da Escritura
A frase final do episódio é simples: "e foi lançada a sorte sobre eles, e a sorte caiu sobre Matias; e foi contado com os onze apóstolos" At 1.26.
A Bíblia não diz mais nada sobre Matias. O nome dele não aparece de novo em nenhuma carta, nenhum relato, nenhuma lista do Novo Testamento. O relato bíblico do maior apóstolo do mundo no que diz respeito a minutos de tela é um sorteio e uma frase de conclusão.
E isso é honesto de dizer. A Bíblia fala pouco de Matias — e esse "pouco" é exatamente o suficiente. O que temos é rico: a qualificação, o método, a oração, a escolha. O que não temos: as viagens, os milagres, os sermões, a morte. Para isso, precisamos da tradição — e ela precisa ser claramente rotulada como tradição.
Imagine o que acontece no dia seguinte para Matias. Ele acorda sendo o décimo segundo apóstolo. O número está completo. O grupo está reorganizado. Falta dez dias para o Pentecostes — e quando o Espírito Santo vier em fogo e em vento, Matias estará lá. Ele vai receber o mesmo Espírito que os outros onze. Vai ser um dos que saem daquele aposento para proclamar o Cristo ressurreto em línguas que nunca aprenderam. Sua estreia pública foi silenciosa — foi uma sorte. Mas o que veio depois foi fogo.
08 — O NÚMERO QUE NÃO PODIA FICAR INCOMPLETODoze tribos, doze apóstolos
Por que Pedro faz questão de completar o número exatamente em doze? Por que não ficar em onze e deixar assim? A resposta está na estrutura teológica do que Jesus estava construindo.
Israel era formado por doze tribos — os doze filhos de Jacó, que receberam o nome de Israel. Doze era o número de completude do povo de Deus no Antigo Testamento. E Jesus, em sua última ceia, havia prometido algo específico aos doze: "vós que me seguistes, na regeneração, quando o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, vós também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel" Mt 19.28. Doze apóstolos sobre doze tronos — a correlação era explícita.
A escolha de Matias não era apenas burocrática — era teológica. Ela dizia: a Igreja é o novo Israel, o povo reconstituído por Jesus. E esse novo povo de Deus precisava dos seus doze fundadores, assim como as doze tribos tinham os seus doze patriarcas. O Apocalipse confirma essa simbologia ao descrever os fundamentos da Nova Jerusalém com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro Ap 21.14 — e na tradição que chegou até nós, o nome de Matias está entre esses doze.
"Restaurar o que foi quebrado pela traição." Judas havia deixado uma ferida no número sagrado dos doze. O ato de completar o grupo não era vaidade numérica — era restauração simbólica. A traição rasgou algo; a eleição de Matias costurou. Há aqui uma pregação sobre como a comunidade de fé deve lidar com a ferida da traição: não fingindo que o buraco não existe, e não enchendo de qualquer um — mas buscando com oração, com critério, com cuidado. O que o traidor destruiu, Deus restaura — com discernimento.
09 — O APÓSTOLO QUE A HISTÓRIA QUASE ESQUECEUTradições divergentes
Aqui a Bíblia termina e a tradição começa. É importante dizer com clareza: tudo o que se segue não tem base nas Escrituras canônicas. São tradições da história da Igreja — úteis de conhecer, impossíveis de verificar com certeza.
Onde ele pregou? As tradições divergem significativamente. Uma corrente, representada pelo historiador Eusébio de Cesareia (séc. IV), diz que Matias pregou principalmente na Judeia. Outras tradições (em geral mais tardias) o colocam na Etiópia, na Capadócia (atual Turquia) ou no litoral do Mar Cáspio — às vezes referido como região dos "canibais", o que pode ser exagero hagiográfico. O problema é que essas tradições geográficas frequentemente se contradizem entre si.
Como ele morreu? A maioria das tradições afirma que Matias sofreu o martírio. Alguns relatos falam em apedrejamento (coerente com o método judaico de execução, se ele pregou na Judeia), seguido de decapitação. Outros dizem que foi crucificado. Alguns textos tardios sugerem que o mártir foi executado pelos próprios compatriotas judeus, outros falam de autoridades gentias. A discrepância dos relatos é grande.
As relíquias. A tradição mais influente no Ocidente associa os restos mortais de Matias à Abadia de São Matias (Sankt Matthias) em Trier, Alemanha — a mais antiga abadia beneditina ainda ativa ao norte dos Alpes, fundada no séc. X. Segundo a lenda, a rainha Helena (mãe do imperador Constantino) trouxe as relíquias de Jerusalém para Trier no séc. IV. É a única cidade ao norte das Alpes que reivindica possuir relíquias de um apóstolo de Jesus. Há também uma reivindicação concorrente: a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, afirma ter parte das relíquias de Matias.
O apócrifo. Existe um texto apócrifo chamado "Atos de André e Matias" (ou "Atos de André e Mateus" em algumas versões) — uma narrativa aventurosa que o coloca pregando em terra de canibais. Este texto é claramente ficção religiosa, sem valor histórico, e ainda confunde frequentemente os nomes Matias e Mateus. Não deve ser tomado como informação sobre o apóstolo real.
⚠️ Tudo nesta seção vem de tradições da história da Igreja, textos apócrifos e hagiografias tardias — não das Escrituras canônicas. A Bíblia não descreve a morte de Matias, seus destinos missionários, nem registra nenhum milagre atribuído a ele fora de Atos 1. Leia estas tradições com interesse histórico, mas sem confundi-las com a Palavra de Deus.
10 — O PROBLEMA DO PAULOSeria Paulo o "verdadeiro" décimo segundo apóstolo?
Ao longo da história, alguns estudiosos levantaram uma questão interessante: será que Pedro errou ao substituir Judas antes do Pentecostes? Será que deveriam ter esperado — e que o verdadeiro décimo segundo apóstolo era o apóstolo Paulo, escolhido pelo próprio Jesus ressurreto no caminho de Damasco?
É uma pergunta legítima de fazer — mas a resposta bíblica aponta para o contrário:
Primeiro, o próprio Paulo nunca se colocou como substituto de Judas. Ele reconhece que seu apostolado é diferente — que foi chamado "fora de tempo" 1Co 15.8 e que era o "menor dos apóstolos" 1Co 15.9. Sua missão era específica: os gentios.
Segundo, Atos 2 registra que no Pentecostes estavam reunidos "os onze" — mas pelo contexto, Matias já estava no grupo e o número voltara a doze At 1.26. Lucas, que escreve Atos e que também era próximo de Paulo, não mostra nenhum sinal de que considerava a eleição de Matias um erro.
Terceiro, o Apocalipse descreve doze fundamentos da Nova Jerusalém com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro Ap 21.14 — sem número preciso de quem é quem, mas a lista canônica dos doze inclui Matias, não Paulo.
A conclusão mais honesta é: Pedro agiu com discernimento, oração, critério bíblico e consenso comunitário. O texto de Atos não critica a decisão — ele a registra como o que foi: a reconstituição do grupo dos doze, conforme o que as Escrituras pediam.
LINHA DO TEMPOA história de Matias de relance
VOCÊ SABIA?Curiosidades sobre Matias
A última sorte
O sorteio de Matias é o último lançamento de sortes registrado na Bíblia. Depois do Pentecostes, a igreja passa a ser guiada pelo Espírito Santo — e as sortes desaparecem da narrativa.
Uma passagem, uma vez
O nome "Matias" aparece exatamente duas vezes no Novo Testamento — ambas em Atos 1: nos versículos 23 e 26. Em nenhum outro lugar das Escrituras.
O não-escolhido
José Barsabás Justo — igualmente qualificado, não foi sorteado. A Bíblia não registra nenhuma reação dele. É um modelo silencioso de servir sem precisar do cargo.
Trier, Alemanha
A Abadia de São Matias em Trier é a única no norte dos Alpes a reivindicar relíquias de um apóstolo de Jesus — tradição iniciada pela rainha Helena no séc. IV.
Matias ≠ Mateus
Matias (Maththías) e Mateus (Matthaîos) são nomes gregos diferentes, de pessoas diferentes, com histórias diferentes. A confusão é comum — e o apócrifo "Atos de André e Matias" já confundia os dois na Antiguidade.
O critério revelado
Atos 1.21–22 é um dos poucos lugares no Novo Testamento que define explicitamente o que significa ser apóstolo: ter estado com Jesus desde o batismo de João e ser testemunha da ressurreição.
PARA LEVAR NA BÍBLIAVersículos-chave
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